‘Máscaras de Oxigênio’ rugem na Serra Gaúcha

(Fotos: Divulgação)

Alinhado ao modelo de programação inicialmente adotado por festivais como San Sebastián e a Berlinale — que incorporam nas suas grelhas narrativas serializadas realizadas ou escritas por cineastas ade autor —, o Festival de Gramado tem funcionado como plataforma de lançamento de títulos brasileiros neste formato, ligados a streamings com vasta base de subscritores. A escolha deste ano, neste segmento, é Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente, que estreia ainda este mês na HBO Max, a 31 de agosto.

A exibição do primeiro episódio, realizado por Carol Minêm e Marcelo Gomes, articula-se com a homenagem que o evento da serra gaúcha presta à sua produtora, Mariza Leão, uma verdadeira fábrica de sucessos de bilheteira, como a saga De Pernas por Ar (2010-2019). Na segunda-feira, ela receberá o prémio honorário Eduardo Abelin, batizado em homenagem a um realizador pioneiro do Sul do Brasil. Máscaras… já passou por salas de cinema em mostras na Alemanha, em Berlim e Munique.

Todo Dia a Mesma Noite, realizado por Julia Rezende, mostrou que a Morena Filmes tem um ADN forte neste formato“, afirma Mariza ao C7nema, referindo-se à sua produtora. “O filme O Meu Passado Condena-me, também realizado pela Julia, começou como série. Produzimos ainda Questão de Família, com três temporadas dirigidas por Sérgio Rezende — um dos jurados da competição de longas de Gramado este ano. E isso foi antes de os streamings chegarem ao Brasil.

Mariza Leão no palco do Palácio dos Festivais de Gramado – Crédito: Cleiton Thiele/Ag.Pressphoto

Máscaras de Oxigénio (Não) Cairão Automaticamente foi idealizado pelo produtor Thiago Pimentel e contou com a consultoria da médica infectologista e escritora Márcia Rachid, autora de Sentença de Vida, reconhecida como uma autoridade clínica na luta pelos direitos de quem vive com VIH (HIV) desde a década de 1980. A médica interpretada por Hermilla Guedes na trama é inspirada nela. A argumentista Patrícia Corso esteve presente na sessão do projeto da HBO Max no Palácio dos Festivais de Gramado, no sábado, ao lado de Carol Minêm, Marcelo Gomes, Pimentel, Mariza, do produtor Tiago Rezende e de parte do elenco principal: Johnny Massaro, Bruna Linzmeyer, Ícaro Silva e Igor Fernandez. A trama, dividida em cinco capítulos, inspira-se em casos reais ocorridos durante o auge da SIDA no Brasil.

Segue um grupo de comissárias e comissários de bordo no Rio de Janeiro, liderados por um chefe de cabina (com VIH), interpretado por Massaro, que monta um esquema de contrabando de AZT, um medicamento antirretroviral, com o objetivo de salvar as vidas de pessoas imunodeprimidas num período em que o fármaco era proibido no país.

“A Dra. Márcia Rachid diz que a arte é um caminho seguro para transformar a forma como as pessoas vêem. E espero muito que a nossa série mude a forma como a sociedade vê quem vive com VIH hoje”, afirmou Massaro, no palco.

Premiado em Cannes há exatos 20 anos com Cinema, Aspirinas e Urubus, o realizador pernambucano Marcelo Gomes já apresentou filmes em Veneza, Toronto e Roterdão, venceu o Festival do Rio com Paloma (2022) e concorreu ao Urso de Ouro com Joaquim (2017). Também passou pela Berlinale com um documentário (Estou-me Guardando para Quando o Carnaval Chegar) e com uma ficção ensaística (O Homem das Multidões, realizado em dupla com Cao Guimarães). A passagem de Máscaras de Oxigénio (Não) Cairão Automaticamente por Gramado aproxima o cineasta do festival mais popular do seu país.

“Eu vivi os anos 80 e 90. Na altura, quando ouvíamos falar de SIDA, era como se fosse o fim do mundo”, disse Gomes.

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