Júri na Faixa de Gaza da controvérsia

(Fotos: Divulgação)

Temas recorrentes nas conferências de abertura de Cannes, simbólicas de lutas políticas do presente, como as batalhas antissexista do movimento Me Too e o cessar-fogo na Palestina vieram à tona esta terça-feira na apresentação à imprensa do júri da 78ª. edição do festival. Tudo o que havia de polémico ficou a cargo nas respostas da atriz francesa Juliette Binoche, a presidente das juradas e jurados que analisam as 22 longas-metragens em concurso pela Palma de Ouro.

O ambiente ficou tenso quando a estrela de “O Paciente Inglês” (1996) foi convocada a responder o porquê de não assinar a carta endossada por 380 artistas (como Richare Gere, Susan Sarandon e Jonathan Glazer) contra o genocídio em Gaza.”Vocês vão entender mais tarde“, disse Juliette, sem responder diretamente, ao fim de um amontoado de perguntas sobre a condenação de Gerárd Depardieu, por agressão sexual numas filmagens. “Falamos de um homem que foi dessacralizado. O caso abre uma reflexão sobre o poder“. Vista recentemente em Portugal em “O Regresso De Ulisses“, Juliette lidera uma equipa que reúne a estrela americana Halle Berry; a atriz italiana Alba Rohrwacher; a indiana Payal Kapadia, que ganhou o Grand Pix cannoise de 2024 pela realização de “Tudo O Que Imaginamos Como Luz“; a escritora franco-marroquina Leïla Slimani; o documentarista e produtor congolês Dieudo Hamadi; o multiartista sul-coreano Hong Sangsoo, hoje definido como o realizador mais prolífico da atualidade; o cineasta e produtor mexicano Carlos Reygadas; e o ator da série “Succession”, Jeremy Strong, dos EUA. O trabalho deles vai decorrer de 13 a 24 de maio.

A melhor tirada da conferência veio do realizador de “Hahaha” (Prix Un Certain Regard de 2010) ao ser questionado pelo mediador, o jornalista Didier Allouch, sobre a experiência de ser jurado na Croisette:”Não sei o que eu estou a fazer aqui“, brincou Hong Sangsoo, que nunca leva a si mesmo a sério nas conversas em público. O trabalho desta equipa começa após a sessão de “Partir un Jour”, da estreante Amélie Bonnin, que abre a programação de Cannes. O primeiro dos 22 concorrentes a ser visto e debatido é “Sound of Falling“, da alemã Mascha Schilinski. A língua portuguesa se fará ouvir no certame no domingo, via o Brasil, na sessão de “O Agente Secreto“, de Kleber Mendonça Filho. “Tento experimentar os filmes imbuído de um interesse por sentir o que existe de vida em objetos criados pela sociedade. A forma com a qual vejo o cinema não pensa de modo territorial ou regional“, disse o realizador mexicano Carlos Reygadas ao responder ao C7nema sobre a presença da America Latina na luta pela Palma. “Estive aqui com muitos filmes e sei que é bom ver cineastas da nossa área (o nosso continente) por cá. Só creio que devemos inovar mais“.

Halle Berry, que ganhou um Oscar em 2002 por “Monster’s Ball” (“Depois do Ódio” em Portugal e “A Última Ceia” no Brasil), foi a jurada mais requisitada pelos jornalistas. Falou do novo código de vestuário de Cannes e falou da sua passagem pela Croisette com “X-Men“. A atriz comentou ainda a ida da franquia James Bond para a Amazon.”Não penso que o novo 007 deva ser uma mulher. Ainda que, em 2025, a hipótese seja importante, não penso que a personagem seja uma mulher“, disse a atriz, que viveu a agente Jinx em “Die Another Die” (2002), o canto de cisne da era Pierce Brosnan como Bond.

O Festival de Cannes segue até o dia 24 de maio.

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