Esquadra brasileira invade salas de cinema de Buenos Aires

(Fotos: Divulgação)

No meio à carreira comercial de “Ainda Estou Aqui” pelas salas de projeção da Argentina, o cinema brasileiro prepara-se para ocupar posições em diferentes latitudes na 26ª edição do Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires (Bafici), incluindo a competição internacional oficial do Festival de Buenos Aires, onde concorre a prémios com a curta-metragem “Minha Mãe É Uma Vaca”. Assinado por Moara Passoni, o filme tem foco nas descobertas afetivas de uma menina. Projetado antes nos Horizontes de Veneza, o filme faz a sua estreia no certame portenho neste domingo, no Teatro San Martín. Faz parte de um “bonde” (gíria do Rio de Janeiro para coletivo) de expressões da brasilidade. Faz parte dele a distopia amazónica que valeu o Grande Prémio do Júri ao Brasil na 75ª Berlinale, em fevereiro: “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro.

“Minha Mãe É Uma Vaca” é dirigido por Moara Passoni

Desde o Festival de Berlim, o planisfério cinéfilo louva o desempenho da atriz Denise Weinberg numa Amazónia assombrada pelo etarismo. Conhecido antes por “Boi Neon” (2015) e “Divino Amor” (2019), Mascaro, um realizador vindo de Pernambuco, impressionou a Europa ao criar um mundo distópico perfumado de realismo mágico. Pelo jorro imaginativo e pela destreza da realização, ele conquistou ainda o Prémio do Júri Ecuménico (um agrupamento interessado em histórias de fé e solidariedade) e a láurea do Público Leitor do jornal “Berliner Morgenpost”. A sua entrada no Bafici dá-se pela seção Trayectorias.

No enredo desse river movie filmado por Mascaro, o governo brasileiro passa a transferir idosos para uma colónia habitacional para eles “desfrutarem” os seus últimos anos de vida em isolamento. Antes de entrar na faixa do seu exílio compulsivo, a septuagenária Tereza (vivida por Denise) embarca numa jornada para realizar um último desejo: ter dignidade para com ela e… ser livre. Para isso, enfia-se numa jornada fluvial com direito a um barqueiro de coração partido (papel dado a Rodrigo Santoro) e uma vendedora de Bíblias digitais (interpretada pela cubana Miriam Socorrás).

Consagrado desde a década de 1960 como um artesão das estéticas de invenção, Julio Bressane participa do Bafici com “Relâmpagos De Críticas Murmúrios De Metafísicas”, um filme experimental nas raias da arquivologia. A sua nova longa-metragem foi elaborada a quatro mãos com o montador Rodrigo Lima. A narrativa se concentra sobre a edição de 48 filmes brasileiros realizados entre 1898 e 2022. Cada fotograma revisitado expõe uma memória e uma verdade.

A seleção brasileira do BAFICI 2025 completa-se com a curta “Vollúpya”, de Éri Sarmet e Jocimar Dias Jr. A sua exibição ocorre na seção Lugares, centrada em territórios. A trama envolve um futuro distópico, um VHS encontrado em uma lata de lixo e uma fita magnética que transporta um viajante do tempo para uma pista de dança quente. A partir de uma mirada pautada pela ficção científica e uma costura de 13 horas de arquivos audiovisuais, o filme mergulha na noite queer, a partir do boliche (salão de bowling) homónimo que funcionou de 1992 até o início deste século na cidade de Niterói e se tornou um lugar de libertação e pertencimento para milhares de pessoas.

O Bafici segue até o dia 13.

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