Um tango para Truffaut

(Fotos: Divulgação)

Debruçado sobre a obra de Jacques Rozier (1926-2023), o realizador de “Maine Océan” (1986), numa retrospectiva de títulos cultuados como “Les Naufragés De L’île De La Tortue” (1976), o 26º Bafici não limita a sua mirada sobre a Nouvelle Vague apenas a esse cineasta que ganhou eco ao longo do movimento por meio de curtas-metraggens. É François Truffaut (1932-1984) quem mais aproxima o Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires de 2025 das estéticas modernas da França dos anos 1960. Sinónimo fílmico de lirismo, o vencedor do Oscar por “A Noite Americana” (1973) terá os seus feitos e projetos revisitados no Cine Teatro Alvear, no coração da Argentina, neste domingo, numa projeção do documentário “Le Scénario De Ma Vie”, de David Teboul.

Lançada mundialmente em Cannes, em maio de 2024, essa longa metragem ensaística baseia-se em imagens de arquivo (algumas conhecidas, outras não) e em entrevistas pouco citadas de Truffaut. O argumento resgata a sua correspondência com o pai (adotivo) e aproveita partes de um relato autobiográfico iniciado pelo cineasta alguns meses antes da sua batalha final contra o tumor no cérebro que o matou.

Segundo a pesquisa do documentarista, o quotidiano criativo de Truffaut tinha o ritmo de um comboio de alta velocidade, embalada em sucessos como “A Mulher do Lado” (“La Femme D’à Côté”, 1981). Alguns meses antes de morrer, o cineasta tinha começado a partilhar a história da sua juventude com um velho amigo, Claude de Givray. Os dois conversavam sobre a família do realizador parisiense, a fim de fazer um livro com as suas recordações. o seu tempo de tela (e na Terra) acabou por escassear e Truffaut não conseguiu terminar a sua autobiografia, que pretendia chamar de “O Roteiro da Minha Vida”. O que Teboul faz, baseado em uma safra rica de registos epistolares, é revelar o que seria essa derradeira narrativa truffautiana.

A sua investigação arranca lágrimas de cinéfilos, ao resgatar declarações do artista por trás de “Jules et Jim” (1962) como: “Sinto-me parte desse grupo de cineastas para quem o cinema é um prolongamento da juventude, como se fossemos crianças que reconstruíram o mundo com os brinquedos e, na idade adulta, continuam a brincar com os filmes”, escreveu Truffaut nos seus ensaios memorialísticos.

O BAFICI segue até o dia 13 de abril.

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