“O Naufrágio do Lusitania” abre 9 dias de cinema em Bergamo

(Fotos: Divulgação)

A morte é apenas uma bela aventura da vida”. Esta foi, alegadamente, a frase que um sorridente Charles Frohman, empresário e produtor de teatro, expressou quando viu o navio transatlântico em que navegava ser atingido por torpedos lançados por um submarino alemão a 7 de maio de 1915, na costa da Irlanda. O naufrágio do Lusitania, como ficou conhecido, vitimou cerca de 1200 pessoas, 128 dos quais norte-americanos. Essa ação de guerra chegaria ao cinema através de um filme de animação mudo, com momentos live action, com a assinatura do cartunista Winsor McCay.

Peça documental com laivos intensos de filme-propaganda, pois esperava-se que o afundamento do navio despertasse a entrada dos EUA na 1ª Guerra Mundial, “The Sinking of the Lusitania”, com apenas 12 minutos, aborda também como o autor e a sua equipa o trabalharam (com mais de 20 mil desenhos executados, no primeiro filme que McCay fez usando a nova e mais eficiente tecnologia de celuloide) , referindo-se à produção como como “registo histórico”.

 “The Sinking of the Lusitania” é apenas um de mais de uma dezena de filmes de animação que serão exibidos em Bergamo, todos eles inspirados em narrativas não ficcionais. Além da presença de 3 filmes de animação portugueses – Viagem a Cabo Verde” (2010), “Tio Tomás, a contabilidade dos dias” (2019) -“Percebes” (2024), por Bergamo vão ser ainda exibidos clássicos como “Valsa com Bashir”, onde o realizador Ari Folman,, um veterano da Guerra do Líbano de 1982, tenta recuperar as suas memórias perdidas dos eventos que marcaram o massacre de Sabra e Chatila ( 16 e 18 de setembro de 1982).

Semesterhemmet” (1981)

Com o subtítulo AnReal, pois se à primeira vista os filmes que compõem esta secção de cinema de animação podem parecer imaginários e irreais, eles inspiram-se em factos e eventos reais, surgindo numa forma documental ou híbrida, por Bergamo vão ser ainda exibidos “Semesterhemmet” (1981), de Birgitta Jansson,  uma animação stop-motion sobre um dia numa casa de repouso sueca real, onde as vozes de quem lá vive, dão contexto às figuras em barro que a cineasta trabalhou. O filme contém ainda uma cena de ação ao vivo na qual os personagens da vida real fazem comentários sobre as figuras de argila que os representam. Já “Tussilago” (2010), de Jonas Odel, leva-nos a 31 de março de 1977, quando o terrorista alemão ocidental Norbert Kröcher foi detido em Estocolmo, suspeito de ter planeado o rapto da política sueca Anna-Greta Leijon. Nos dias que se seguiram, foram detidas várias pessoas. Uma delas foi a ex-namorada de Kröcher, “A”. O filme conta a sua história de forma pessoal, contada através de uma mistura de ação ao vivo, animação e entrevistas. “Broken: The Women’s Prison at Hoheneck” , de Alexander Lahl, é outra das animações exibidas, levando-nos aos tempos da Alemanha Oriental e à mais famosa prisão feminina a partir de um conjunto de entrevistas com antigas detidas no espaço. 

A programação da secção é completada por “Brand/Ablaze” (2019) , de Jan Koester e Alexander Lahl; “Esperança” (2019, de Cécile Rousset, Jeanne Paturle e Benjamin Serero; “C’était pas du Bourgogne” (2020), de Mathias De Panafieu, “Discussions animées entre entendeurs de voix” (2022), de Tristan Thil; “Inside, The Valley Sings”, (2024) de Nathan Fagan e Natasza Cetner, “I Died in Irpin” (2024), de Anastasiia Falileieva; e “Kék Pelikan/Pelikan Blue” (2023), de László Csáki .

O Bergamo Film Meeting decorre até 16 de março.

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