Presente em Lisboa para apresentar o seu “Bernadette – A Mulher do Presidente” na Festa do Cinema Francês, a realizadora Léa Domenach contou ao C7nema que já está a trabalhar num novo filme, “uma adaptação de banda-desenhada intitulada Peau D’Homme (Pele de Homem)”.
Grande vencedor do Festival Internacional de banda desenhada de Angoulême, em 2021, o livro vai ser adaptado a comédia musical e é descrito pela cineasta como “a história de uma mulher a quem lhe é destinado um marido, sem ter hipótese de escolha e sem querer casar. É então que a madrinha oferece-lhe uma ‘pele de homem’, transformando a mulher num homem. Com essa pele, o homem com quem estava destinada a casar ‘vai-se apaixonar por ela como homem, e não como mulher”.

Questionada pela escolha de transformar o livro num projeto musical, Domenach diz-se fã absoluta do género de musicais, mencionando “West Side Story” e o trabalho de Jacques Demy em geral, não faltando (claro) o filme “Peau d’Âne” [onde Catherine Deneuve atuava], no qual a banda-desenhada se inspirou no título. “Pretendo um bocado mais de loucura, mudando assim o espírito da banda-desenhada que era demasiado prudente“, concluiu.
Nascida em 1983, Léa Domenach é filha da jornalista e romancista Michèle Fitoussi e do jornalista político Nicolas Domenach, especialista em Jacques Chirac. Quando questionada se o foco em Jacques e Bernadette Chirac é “um assunto de família”, a cineasta sorriu, acrescentando que investigou bastante para fazer um filme sobre a primeira-dama francesa de 1995 a 2007. “Vi muitos documentários, imagens, livros, além de entrevistar muita gente que trabalhou com eles e jornalistas”, explicou-nos, acrescentando que foi sempre acompanhada em cada etapa da escrita por um advogado pois, ao não envolver a família do ex-presidente na produção, teriam de ser cautelosos com a forma como iam abordar as personagens e temas: “Não sei como é em Portugal, mas a lei francesa protege bastante as figuras públicas. Não é como nos EUA e no Reino Unido, onde há mais liberdade. Creio que é por isso que eles fazem muitos mais filmes sobre pessoas vivas que nós”.
A Festa do Cinema Francês prossegue até dia 13 de outubro em Lisboa.

