Thriller erótico com Nicole Kidman dá que falar em Veneza

(Fotos: Divulgação)

Um dos filmes que tem dado que falar em Veneza é “Babygirl”, um thriller erótico que conta com Nicole Kidman como uma CEO de uma empresa que põe em risco a sua carreira e família quando começa um caso tórrido com o um estagiário muito mais jovem (interpretado por Harris Dickinson). “É um filme sobre desejo, pensamentos internos, segredos, casamento, verdade, poder, consentimento”, explicou Nicole Kidman em Veneza, acrescentando que o olhar feminino da realizadora Halina Reijn criou um objeto cinematográfico “libertador”: “Foi um papel que me deixou muito vulnerável, exposta e assustada quando o mostramos ao mundo, mas fazer o filme, com estas pessoas envolvidas, foi algo muito delicado, íntimo e profundo”. 

Já Halina Reijn mostrou-se muito feliz por “fazer um filme sobre o desejo feminino, mas igualmente sobre uma mulher numa crise existencial”. Não escondendo a inspiração que encontrou em cineastas como Paul Verhoeven, ela explicou: “Trabalhei com o Verhoeven e estive com ele aqui em 2006, com o “Black Book”. Gosto muito do seu trabalho e queria fazer algo na linha do seu cinema, mas com um olhar feminino. Isto não significa que o filme não seja também sobre a masculinidade. Ele fala de masculinidade, feminilidade, poder, controle e sexualidade. Mas no centro está a questão: será que me posso amar em todas as minhas facetas? Espero que o filme funcione como um tributo ao amor próprio e à libertação.”

 Também feliz por fazer parte do projeto temos Antonio Banderas, que lançou farpas ao facto de hoje em dia já não se poder fazer cinema “politicamente incorreto”. “No passado, costumava vir a este tipo de festivais – Berlim, Cannes, Veneza- com filmes que hoje em dia seriam impossíveis de fazer”, afirmou o ator espanhol. “Filmes que eram altamente criticados e viajavam por terrenos politicamente incorretos. Não podemos viver num mundo em que o politicamente incorreto cria uma autocensura dos autores. Quando li o guião que a Helena escreveu, agradeci o facto de ainda existirem pessoas que pensam fora da caixa. Que têm a força e coragem de colocar coisas no grande ecrã que todos pensamos. Somos prisioneiros dos nossos instintos, somos animais. Não existe nada democratico na nossa natureza. Não escolhemos nascer, ser humanos, plantas ou animais. Estamos agarrados a isso. E aqui é uma mulher que fala sobre essas coisas com uma enorme liberdade. Senti um grande orgulho em participar em algo assim nos dias que correm, que somos todos colocados em caixas e movimentos. A arte devia estar fora disso.”

Completando o seu raciocínio em relação ao que pretendia mostrar com o seu filme, Halina Reijn disse: “Para nós, esta é uma história de duas gerações e a sexualidade. Como as duas gerações veem e discutem de forma diferente os tópicos. Homens, mulheres, girafas, todos, temos uma besta dentro de nós. No caso das mulheres, elas não tiveram as mesmas chances de explorar estes comportamentos, não apenas na visão do quanto somos fortes, mas também de como podemos ser tão fracas e frágeis. A educação que os meus pais me deram não sustentava a ideia de o bem e o mal separadamente. Temos as duas coisas em nós. E temos de falar sobre isso, pois quanto mais reprimirmos maior perigo existe. Por isso, não quis que nenhuma das minhas personagens fossem castigadas pelas suas ações”.

O Festival de Veneza termina no dia 7 de setembro.

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