Na conferência de imprensa habitual que reuniu o júri que vai atribuir o Leão de Ouro do Festival de Veneza, Isabelle Huppert falou dos riscos e ameaças que o Cinema atravessa hoje: “Sabemos que o cinema foi fragilizado nos últimos tempos. Sei-o pessoalmente, mas não sou realizadora, apenas atriz, mas sabemos o que isso representa em termos de coragem, resistência, solidão, determinação e de criar uma palavra singular, enfim… sabemos o que custa fazer um filme. E esta é uma palavra individual que assinamos e dirigimos ao mundo. A minha preocupação é que essa palavra possa continuar a ser distribuída o mais tempo possível. É por isso que um festival como o de Veneza existe, é como um ecossistema que é mais necessário do que nunca para evocar esses valores. Estou muito feliz por estar aqui”
Também a realizadora Debra Granik, que lidera o júri da secção Orizzonti, abordou o tema, aplaudindo Huppert por “ter trazido à conversa o elefante na sala”. “É por isso que estamos todos aqui. Queremos que esta forma de arte continue a florescer. As gerações que aqui estão reunidas precisam do cinema de forma a discutir os temas que nós, cineastas, pomos em discussão. Temas que o mainstream não alberga nesta era digital. Partilho as preocupações e paixões da Huppert sobre o cinema. Com felicidade, é isso que vamos fazer nos próximos dias, estar nas trincheiras e ver cinema, discutindo-o, celebrando o facto de os filmes existirem, incentivando todos os envolvidos nesta arte a continuarem. Talvez os festivais hoje em dia sejam a melhor forma de desafiar os tempos.”
Vale a pena referir que Huppert lidera o júri composto por James Gray, Andrew Haigh, Agnieszka Holland, Kleber Mendonça Filho, Abderrahmane Sissako, Giuseppe Tornatore, Julia von Heinz e Zhang Ziyi.
Já Granik tem como companheiros de missão Ali Asgari, Soudade Kaadan, Christos Nikou, Tuva Novotny, Gábor Reisz e Valia Santella.
“Beetlejuice Beetlejuice” dá início ao Festival de Cinema de Veneza esta noite como filme de abertura.

