O realizador Tim Burton afirmou hoje no Festival de Veneza que nos últimos anos andou desiludido com a indústria do cinema, por isso, quando pensou em fazer algo novamente, esse projeto “teria de vir do coração” e da sua própria opção: “É como a personagem da Lydia no “Beetlejuice Beetlejuice”; quando crescemos, a vida às vezes obriga-nos a seguir certos rumos. Senti que me desviei um pouco do meu caminho e perdi-me. Fazer “Beetlejuice Beetlejuice” foi uma forma de ganhar novamente energia e voltar a fazer as coisas que gosto, da maneira que gosto, e com as pessoas que gosto. Percebi que, para ser bem sucedido, tenho de ter prazer em fazer as coisas.”
Reconhecendo que o sucesso de “Wednesday” foi extremamente importante para prosseguir no cinema e pegar novamente em “Beetlejuice”, Burton mostrou-se surpreendido com o sucesso do primeiro filme, quando estreou na década de 1980, e que “não queria fazer uma grande sequela por dinheiro ou algo do género, mas por razões muito pessoais”.
“O Beetlejuice é único. É muito difícil participar numa coisa que possas dizer que realmente é 100% único . Há filmes maravilhosos que são inspirados em algo, seja Fellini ou Kurosawa. O Beetlejuice surgiu do nada”, acrescentou Michael Keaton, que se encontrava igualmente na conferência de imprensa realizada esta manhã no LIdo e que contou ainda com a presença de Catherine O’Hara e Winona Ryder, que participaram no primeiro filme, bem como com os recém-chegados Jenna Ortega, Monica Bellucci, Justin Theroux e Willem Dafoe.

Com o nome “Beetlejuice Beetlejuice“, esta sequela vê Michael Keaton regressar à sua personagem icónica, enquanto Winona Ryder e Catherine O’Hara estão de volta como Lydia e Delia Deetz, com a estrela de “Wednesday“, Jenna Ortega, a assumir o papel da filha de Lydia, Astrid. Após uma inesperada tragédia familiar, três gerações da família Deetz regressam a casa em Winter River. Ainda assombrada por Beetlejuice, a vida de Lydia é virada do avesso quando a filha adolescente, Astrid, descobre o misterioso modelo da cidade no sótão e o portal para a vida depois da morte é acidentalmente aberto.


Brincando que não haverá nova sequela do filme, pois demorou 35 anos do primeiro para o segundo filme, Burton confessa que não reviu o filme de 1988 para rodar o segundo, e adiantou que foi a curiosidade de como as personagens e a família Deetz cresceram ao longo de três décadas que o atraiu. E para esta continuação, Burton foi buscar inspiração a dois cineastas italianos, que admite admirar – Mario Bava e Dario Argento. “Tive de ‘picar ponto em relação a eles’. No fundo, todos este filme, seja a história, personagens ou música, o italiano ou espanhol em cena, vêm das minhas paixões. Por exemplo, adoro filmes dobrados e por isso esse amor foi chamado a cena. Tudo neste filme foi especial para mim. Não sou um realizador italiano de filmes de horror, mas gostava de ser”.
“Beetlejuice Beetlejuice” dá início ao Festival de Cinema de Veneza esta noite como filme de abertura.

