Ovacionado na sua passagem por Cannes, com “Furiosa“, George Miller destacou a natureza “cinemática” do audiovisual, para além das narrativas de ação, na conferência de imprensa da longa-metragem.
“Esta saga sobreviveu por sorte e pela força alegórica da sua trama. Encontramos um pouco das histórias de samurais aqui. Akira Kurosawa foi uma influência para todos nós. Ele inspirou grandes westerns e os westerns nos inspiraram“, diz Miller.
A superprodução garantiu ao 77º Festival de Cannes a sua primeira grande personagem: o vilão Dementus. Vivido por Chris Hemsworth, ele é um líder excêntrico de uma casta de guerreiros que desafia o poderoso Imortan Joe. Nas primeiras sequências, ele assume uma menina como sua filha, a despeito do desprezo dela por ele. Ela cresce e vira a valquíria Furiosa (Anya Taylor-Joy) e decide se vingar.
“Comecei a filmar na época da película, mas apanhei o início o cinema digital, com ‘Babe‘ e ‘Happy Feet‘. Fascina-me ver como a indústria muda, sobretudo a tecnologia. Tive a chance de ter câmaras mais avançadas e um sofisticado sistema de pré-visualização neste filme“, diz Miller, antes de relembrar a sua infância na Austrália, onde a franquia nasceu, no fim dos anos 1970. “Cresci numa cidade rural onde tudo o que tínhamos eram BDs e as matinés de domingo. A sala que tínhamos era uma catedral. Nestas últimas décadas, tudo o que fiz carrega as lembranças daquela sala de cinema“.
O Festival de Cannes prossegue até o dia 25 de maio.

