Requiem para Carlos Saura

(Fotos: Divulgação)

Omnipresente no Festival do Rio nos anos 2000, onde veio exibir “Fados” (2007) e falar nas palestras do setor de negócios do evento (o Rio Market), o espanhol Carlos Saura (1932-2023) ganhou um réquiem na maratona cinéfila carioca neste fim de semana. Uma projeção póstuma da derradeira longa-metragem do realizador de “Cría Cuervos” (Grande Prémio do Júri em 1976) no passado sábado, no Kinoplex São Luiz (às 14h, no horário do Brasil), vai representar uma cerimónia do adeus para o cineasta.

No fim dos anos 1960, cruzei a fronteira da Espanha com a França para levar ‘Peppermint Frappé’ a Cannes, no esforço de participar do debate comportamental daquele tempo. Era o ano de 1968, quando um protesto acabou por paralisar as atividades do festival numa celebração da democracia. Foi em nome dela, do sonho democrático, que sempre filmei“, disse Saura ao C7nema, em uma de suas últimas entrevistas, quando finalizou a curta-metragem “Rosa Rosae“, exibida na abertura do Festival de San Sebastián 2021.

Vencedor do Urso de Ouro de 1981 com “Depressa, Depressa, além de 63 outras láureas, com direito a indicação ao Oscar, o artesão autoral aragonês morreu no dia 10 de fevereiro, aos 91 anos, deixando projetost inacabados, entre os quais longas-metragens sobre a vida de Bach e de Picasso. Tinha ainda um livro quase finalizado: “De Imágenes También Se Vive”. No último dia 7, a editora espanhola Taurus reuniu os escritos de Saura e publicou-os na forma de uma luxuosa coletânea de memórias.

O lançamento do livro é potencializa a circulação de “As Paredes Falam” (“Las Paredes Hablan”). Trata-se de uma investigação de 75 minutos sobre o mundo da arte, retratando a relação entre a criação pictórica (pintura, grafite, desenho) e o espaço do muro (ou da pedra, no caso das cavernas) como tela. Por isso, flana das primeiras expressões gráficas na pré-História até as vanguardas, dando um pulo até as inquietas manifestações poéticas das periferias contemporâneas. Ele realiza e “atua”, participando da narrativa como um investigador. O filme foi rodado em 14 locais, como as grutas de Puente Viesgo e Altamira, na Cantábria, com uma passada pelo sítio arqueológico Atapuerca, em Burgos. Saura não se esqueceu das ruas coloridas de Barcelona, nem dos bairros grafitados de Madrid.

Vai ter mais um par de sessões de “As Paredes Falam” na terça (10/12), às 21h15, no Estação NET Gávea, e no sábado, dia 14, às 16h15, no Estação NET Rio.

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