Perfect Days: “É impossível filmar em Tóquio e não pensar em Ozu”, diz Wim Wenders

(Fotos: Divulgação)

De volta à competição de Cannes 15 anos depois de abordar a Morte num filme muito subestimado (“Palermo Shooting“) feito em reação à perda de Bergman e de Antonioni, o alemão Wim Wenders agora celebra a vida, nos seus rituais de repetição mais simples, em “Perfect Days“, que vem subindo no gosto da crítica em Cannes. Kôji Yakusho, o protagonista, é mesmo o favorito à láurea de Melhor Ator. Mas Wenders – que trouxe à Croisette ainda uma longa-metragem documental fora de concurso, chamada “Anselm” – não parecia tão interessado em fazer especulações sobre os prémios. Pelo menos não na conferência de imprensa, onde preferiu apostar em filosofia, na sua linha de tom existencialista.

Os anjos de ‘Wings of Desire‘, que exibe aqui, já serenaram. Mas este filme também fala de um anjo. É uma figura tão angelical que o mundo já não nota a sua presença entre nós, na correria do dia a dia“, disse Wenders a Cannes, antes de cravar um aforismo: “Cada filme a que assistimos nos ensina a ver melhor“.


Embalado numa montagem leve, mesmo tendo sido rodado num processo de filmagem de câmera na mão, “Perfect Days” acompanha a rotina de Hirayama (Kôji), um um empregado de limpeza de casas de banho públicas que passa os dias a ler, ouvir música e pensar.

É impossível para mim filmar em Tóquio e não pensar em Yasujiro Ozu, o meu mestre espiritual. Só não preciso ressaltar onde ele está em cena. Até porque, ele está em tudo“, disse Wenders em resposta ao C7nema. “A maior importância de Ozu foi ter sido uma espécie de cronista do desenvolvimento da Tóquio moderna no cinema. O meu trabalho, ao filmar no Japão, era só dar continuidade a essa crónica. A diferença é que ele não usava câmara na mão, como nós fizemos. E nós não usamos película 50 mm, como ele teve o luxo de usar“.

O Festival de Cannes chega ao fim este sábado, 27 de maio.

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