Guillaume Canet: “Estou muito assustado com o uso de Inteligência Artificial no cinema”

(Fotos: Divulgação)

Presente no Festival de Cannes para promover o filme-catástrofe francês “Acide”, o ator, produtor e realizador Guillaume Canet afirmou que o aumento do uso e dependência de Inteligência Artificial na indústria do cinema: “Estou bastante assustado com isso. No cinema, a IA está a processar dados e devolver um resultado. Uma estatística. Isto assusta-me porque as histórias que vemos do cinema devem vir de emoções e sentimentos reais. O escritor que escreve a história tem a sua sensibilidade e a IA vem distorcer isso.”

Outra preocupação de Canet é o ambiente, a alimentação e o aquecimento global, o qual joga um papel essencial em “Acide”, um filme-catástrofe que coloca o mundo à beira da extinção devido à queda de chuva ácida, a qual corrói progressivamente qualquer material com que entre em contacto. 

Uma das coisas que me provoca mais ansiedade atualmente é ver o que os meus filhos comem. Estou muito focado nisso, até porque tenho lutado bastante pela agricultura na França, que está a desaparecer.”, explicou Canet, que em 2019 protagonizou um filme sobre o tema, ‘Au nom de la terre“. “Todos os dias há um agricultor francês que se suicida. Todas as semanas, desaparecem 200 quintas. Estou assustadíssimo, pois em França importamos produtos de todo o lado com bastante má qualidade, repletos de químicos, derivado da sua produção em massa. Assusto-me pelos meus filhos que só querem comer produtos processados, ou coisas com açúcar.”

Sobre a crise climática que é o motor da catástrofe que vemos em “Acide”, Canet comentou:”A situação climática é muito assustadora e tento, em casa, alertar bastante para estes temas O mundo não é suficientemente maduro para entender o perigo do aquecimento global. É preciso educação, mas quando és pobre é ainda mais difícil alertar para isso. Quando eles vivem na pobreza e tentas explicar que a garrafa de plástico que estão a usar é catastrófica, obviamente que não vão ter nisso uma prioridade. Temos de fazer entender as grandes empresas industriais que com o dinheiro que ganham têm de fazer mudanças na produção. Mas sim, é o desejo de fazer dinheiro que move estas empresas. Tenho, ainda assim esperança no futuro, pois a humanidade tem um poder destruidor, mas também de reconstrução e reparação. Quero manter-me positivo e desejar que se façam mais filmes como este, que servem de alerta ”.

Presente no Festival de Cannes na secção Midnight, ACIDE” é realizado por Just Philippot, que adaptou a sua curta-metragem de 2019. Na transposição de curta para longa-metragem, o realizador deu forte importância à construção das personagens e à família disfuncional que conta com Canet no protagonismo, como um pai a procurar salvar a sua filha no meio do caos. “A família sempre esteve no centro dos meus filmes”, acrescentou Just Philippot. “Cresci numa família muito ‘especial’. E digo ‘especial’ porque o meu irmão mais velho tem 99% de deficiência. Em nós sempre houve uma interrogação sobre o ‘especial’.

O Festival de Cannes prossegue até dia 27 de maio.

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