Festival de Mannheim Heidelberg: rejuvenescer aos 70 anos

(Fotos: Divulgação)

O mais antigo festival de cinema alemão, depois da Berlinale, regressa já esta quinta-feira, 11 de novembro, para uma nova edição, agora sob a liderança de Sascha Keilholz.

Inaugurado em 1952, o evento “descobre e incentiva jovens artistas de todo o mundo e fornece uma plataforma única de diálogo cultural, político e social através do cinema”. Por ele, ao longo dos anos, passaram as primeiras obras de nomes como François Truffaut, Rainer Werner Fassbinder, Wim Wenders, Jim Jarmusch, Angela Schanelec, Atom Egoyan, Thomas Vinterberg, Derek Cianfrance, Hong Sang-soo e Guillaume Nicloux. Este último terá mesmo nesta edição direito a uma homenagem e retrospetiva.

Para esta edição comemorativa dos 70 anos, o Festival de Mannheim Heidelberg tem já uma série de novos nomes que certamente vão dar que falar no futuro do cinema. Seja através do hipnotizante e febril “Matar La Bestia” (espetacular estreia na realização da diretora de fotografia Agustina San Martín), até ao doloroso e terno “Ma Nuit” (outra estreia fulminante na realização da diretora de casting Antoinette Boulat), há muita matéria prima para explorar em terras germânicas. Dina Amer, antiga jornalista da CNN, é outro nome a fixar, ela que se estreou na realização com “Tu me Ressembles”, filme onde desconstrói o terrorismo. Será esta produção de Spike Lee e Spike Jonze que marcará a abertura do certame. 

Mas este filme não é o único destaque do dia, até porque na programação de abertura encontramos “Louloute” (Hubert Viel, 2020), lançado em agosto passado em França. Nele viajamos, dos tempos atuais ao passado (anos 80), com a nossa protagonista, Louise (Erika Sainte), uma professora. Carregado de nostalgia e imprimido com imagens bucólicas, o filme revela ser um curioso ensaio naturalista onde não falta um olhar temeroso ao fim de uma em que a agricultura era um negócio em expansão.

Também em foco hoje encontramos “Rehana Maryam Noor”, obra que deu ao seu realizador, Abdullah Mohammad Saad, o estatuto de ser o primeiro cineasta do Bangladesh com um filme na Seleção Oficial em Cannes. Nele acompanhamos uma professora da faculdade de medicina, Rehana Maryam Noor, que testemunha um infeliz incidente no local de trabalho. Em nome de uma aluna, ela parte para uma luta contra o sistema, indo contra tudo e todas as probabilidades.

Memoria” de Apichatpong Weerasethakul, “Mass” de Fran Kranz e “Un Autre Monde” de Stéphane Brizé são também exibidos hoje no festival.

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