Mais criativo trabalho de interpretação do Festival de Cannes de 2024 até agora, “Marcello Mio” pode consagrar Chiara Mastroianni com a láurea de Melhor Atriz e consagrar a estrela que ela se tornou ao longo de três de décadas de uma carreira intensa. Sob a direção de Christophe Honoré, ela contracena com a mãe, Catherine Deneuve, na busca dos resquícios do pai – Marcello Mastroianni (1924-1996) – que residem nela.
“No teatro, ao encenar a peça com Christophe, percebi como ele ativa os seus fantasmas pessoais na estrutura da sua realização. Queria repetir essa parceria, pois confio muito nele“, disse Chiara na conferência de imprensa do filme na Croisette. “É uma história sobre laços de família que todos conhecemos“.
A trama de “Marcello Mio” é um diálogo com a grande tradição do cinema europeu praticado dos anos 1950 aos 1990, sobretudo na Itália. Tem referência de Fellini, tem referência de Antonioni, tem toda a tradição autoral e um país que se transformou numa pedra no sapato de Hollywood depois da II Guerra, dado o seu sucesso.
“Nunca quis fazer uma biopic, mas revelar uma personagem cercada por um ambiente de mistério“, disse Honoré a Cannes, colocando um grupo de artistas como Fabrice Luchini, Nicole Garcia e Melvil Poupaud a cercar a personagem de Chiara. “Queria passar uma sensação de trupe teatral neste grupo“.
O enredo de Honoré acompanha os esforços de Chiara para viver como se fosse Marcello durante um tempo, vestindo-se como ele e comportando-se como homem – o homem que ele foi. A sua decisão assombra os amigos e parentes e dá um nó em Catherine, mas permite que ela possa se reconhecer e se encontrar no simbolismo de uma figura paterna que foi amada por multidões.
“Queria discutir a identidade de um ator e tentar entender como é passar a vida na identidade de outra pessoa“, disse o cineasta.
O Festival de Cannes segue até o dia 25.

