Numa cerimónia realizada a 22 de maio, na Salle Buñuel do Palais des Festivals, a diretora de fotografia japonesa Akiko Ashizawa recebeu o Prémio Pierre Angénieux 2026, uma distinção atribuída pela parceira oficial do certame que reconhece figuras essenciais da direção de fotografia internacional.
Apresentada por Charlotte Lipinska e aberta por Thierry Frémaux, a cerimónia contou com a presença dos atores Xavier Dolan e Irène Jacob, do realizador Kōji Fukada e do diretor de fotografia Kôichi Nakayama. Ashizawa, que colaborou ao longo da carreira com cineastas como Kiyoshi Kurosawa (Tokyo Sonata, Journey to the Shore, Creepy), Kōji Fukada (Sayonara, The Real Thing) e Edwin (Vengeance Is Mine, All Others Pay Cash), recebeu uma objetiva zoom Optimo Ultra Compact 37-102 mm gravada com o seu nome.
“Tenho trabalhado longe daqui, em filmes de todos os formatos e dimensões, grandes e pequenos, e ver o meu trabalho reconhecido desta forma deixa-me profundamente humilde e honrada”, disse Ashizawa no seu discurso em palco. “O cinema pode ser uma luz numa sala escura. Com isso em mente, espero continuar a criar. […] Sabendo que iria receber uma objetiva como presente, mal posso esperar por regressar ao Japão e fazer um teste de câmara com ela. A minha equipa já está à minha espera!”

Já Emmanuel Sprauel, presidente da marca Angénieux, destacou a assinatura visual da diretora de fotografia, afirmando que esta procura “um equilíbrio natural e orgânico”, enquanto Kôichi Nakayama sublinhou o orgulho de ver Ashizawa celebrada internacionalmente, lembrando o seu papel na abertura de caminho para novas gerações de mulheres cineastas no Japão.
Na mesma cerimónia, a vietnamita Linh Đan Nguyễn Phan recebeu o Incentivo Especial Angénieux, que inclui apoio técnico para o seu próximo projeto. “Este prémio não é apenas um incentivo para mim, mas também para muitas jovens que crescem em lugares onde esta profissão continua inacessível, onde nenhuma outra mulher no seu país teve ainda acesso a ela. Obrigada por nos darem este incentivo”, afirmou a diretora de fotografia, recordando que vem de um país onde a memória da guerra continua a viver silenciosamente dentro das famílias, onde as pessoas aprendem a não falar sobre ela, nem sobre as suas emoções. “A direção de fotografia deu-me uma forma de olhar para esses silêncios e de lhes trazer luz, para que possam tornar-se visíveis.”

