O filme “Rising up at Night” (“Tongo Saa” no original), do realizador congolês Nelson Makengo, arrecadou o Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa e o Prémio Especial do Júri Canais TVCine no IndieLisboa, certame que decorreu de 23 de maio a 2 de junho.
Retrato cuidado e incisivo dos problemas e sonhos dos residentes de Kinshasa, fustigados pela violência, superstição e constantes faltas de eletricidade, “Tongo Saa” é uma curiosa incursão do congolês Nelson Makengo sobre como a ausência de “luz” impacta no dia a dia a capital e os seus 17 milhões de habitantes. Enquanto a rádio e televisão anunciam a construção de uma mega barragem que parece ser a solução para todos os males do país, Kudi tenta mobilizar os moradores do seu bairro a arrecadar dinheiro para um novo cabo de energia. Já no Monte Mangengenge, um Pastor compara a eletricidade à luz de Cristo como o caminho para a vida e salvação, enquanto Davido procura um espaço para ficar depois da sua casa ser inundada pelo rio Congo. Segundo Nelson Makengo, em conversa como o C7nema em Berlim, a ideia surgiu quando, em 2016, viajou pela primeira vez para fora do seu país: “Fui para Paris e aí fiquei durante uns tempos, numa atmosfera cheia de jovens como eu. Nesse tempo que estive lá, 3 meses concretamente, nunca houve um corte ou apagão da eletricidade. Já tinha ideias de voltar ao Congo, foi aí que começou a minha reflexão sobre este tema da eletricidade e falta dela e como isso tem impacto na vida das pessoas. Pensei muito em termos fotográficos como sustentar a minha meditação sobre as noites do Congo, mas foi no poder das palavras que nasceu a ideia de fazer um filme. Primeiro uma curta-metragem, que foi apresentada no IDFA em 2019, até chegarmos a esta longa-metragem”.
Noutras premiações do certame lisboeta, “El Auge del Humano 3“, de Eduardo Williams, recebeu uma menção honrosa no Prémio Especial do Júri. “O Ouro e o Mundo“, de Ico Costa, venceu o Prémio Max para Melhor Longa Metragem Portuguesa, enquanto o Prémio Melhor Realização para Longa Metragem Portuguesa NOVA FCSH foi para “Mãos no Fogo“, de Margarida Gil, e “Greice“, de Leonardo Mouramateus.
Nas curtas-metragens, o Prémio para Melhor Curta Metragem Portuguesa foi para “Tão Pequeninas, Tinham o Ar de Serem Já Crescidas“, de Tânia Dinis, enquanto “Nunca Mais é Demasiado Tempo“, de Bruno Ferreira, ficou com o Prémio Novo Talento The Yellow Color. “Kudibanguela“, de Bernardo Magalhães, teve direito a uma menção especial.
Na Competição Internacional de Curtas-Metragens foi atribuído o Grande Prémio de Curta Metragem a “The Oasis I Deserve“, de Inès Sieulle, com “Matta and Matto” de Bianca Caderas & Kerstin Zemp e “The House is on Fire, Might as Well Get Warm“, de Mouloud Aït Liotna a serem distinguidos com Prémios Especiais do Júri.
O prémio IndieMusic é para “Com Amor, Medo“, de Telmo Soares. O Prémio Silvestre para Melhor Longa Metragem foi atribuído a “La Chimera“, de Alice Rohrwacher. Nas curtas, o filme destacado é “Zima“, da dupla Kasumi Ozeki e Tomek Popakul; “Two Wars“, de Jan Ijäs teve uma menção especial. Na secção dedicada a novos realizadores, “Campos Belos“, de David Ferreira, venceu o Prémio Novíssimos, enquanto que Vítor Covelo recebeu uma menção especial por “Tanganhom“.

