À conversa com Michael Winterbottom, o realizador de «O Império do Amor»

(Fotos: Divulgação)

A entrevista com um dos mais reconhecidos realizadores britânicos, aqui a relatar a vida de Paul Raymond, o famoso que criou um império pornográfico no Soho e se transformou no homem mais rico do Reino Unido.

A vida de Paul Raymon é realmente incrível. O que foi que mais o fascinou sobre esta personagem?

O ponto de partida foi quando o Steve (Coogan) concordou em fazer de Paul Raymond. E eu gosto muito de trabalhar com ele. Até porque há diversos aspetos na vida de Paul Raymond que se ligam ao Steve.

Como assim?

São ambos do norte e frequentaram colégios católicos. Apesar de não ter feito fortuna, Steve frequentava muito os clubes do Soho, chegando mesmo a participar em alguns espetáculos de comédia. Acho que, no fundo, acaba por apresentar uma versão dele próprio.

Percebe-se que o Michael gosta de trabalhar com o Steve. Como aconteceu em ‘24 Hour Party People‘, em que Steve assume um papel semelhante, como Tony Wilson, o famoso dono da Factory Records, responsável pela revolução musical em Manchester. Como definiria esta colaboração regular?

Gosto muito de trabalhar com ele, é verdade (risos). E acho que tudo o que faço com ele é, na realidade, trabalhado em seu redor. Como comediante, é alguém capaz de dar muito de si. É ótimo a improvisar.

A banda sonora é mesmo de luxo. Calculo que não deve ter sido barato assegurar esses direitos musicais…

A Melissa, a nossa produtora musical é reconhecida em conseguir negócios fantásticos (risos). Mas não foi assim tão caro. O problema é que temos músicas dos anos 50, 60, 70 e 80. Acabam por ser apenas fragmentos. E o mundo do Paul Raymon é de ‘easy listening’, ou seja intemporal, o que dá ao filme essa atualidade.

Como encara esta mudança da indústria do sexo que temos hoje, com a internet, e aquela que foi vivida no Soho?

Queríamos que tudo começasse com uma ideia um pouco ingénua, até porque estávamos ainda nos anos 50. Nessa altura, as pessoas saiam para uma noite de espetáculo, de glamour sofisticado. Até aos anos 80, evolui-se para um lado de curiosidade com as sex shops. Entretanto, essa progressão torna-se mais explícita. Mas o Soho está cheio de contradições. Ao longo dessas quatro décadas, dá ideia que a sua essência continua presente. Há muitos locais dos anos 80 que continuam a existir. É essa mistura de sexo, droga, cinema, glamour, restaurantes e clubes noturnos. Isso continua a existir, continua a ter o lado ‘posh’, sofisticado, com um aspeto mais popular. Para além disso, sempre foi um local da noite londrina.

Acha que o percurso do Paul Raymond acabou por se tornar pornográfico?

Teremos de saber exatamente o que significa pornografia. Mas, sim, tornou-se cada vez mais explícito, mais degradante e mais depressivo. Por isso mesmo, menos atraente. Por alguma razão ele é conhecido como o’ rei do sexo‘.

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