Entrevista a Nicole Kidman, protagonista de «The Paperboy» (Um Rapaz do Sul)

(Fotos: Divulgação)

Já sabíamos do que Nicole Kidman era capaz. Apesar da sua beleza diáfana e do estatuto superstar que garantiu com mérito próprio, sabemos também nunca virou as costas aos projetos mais audaciosos. Aliás, a sua filmografia fala por si. Em ‘Disposta a Tudo’, Gus Van Sant convence-a aos 28 anos a seduzir um adolescente para matar o marido, em ‘Dogville’ é o polémico Lars von Trier que lhe lança do desafio de assumir, em 2003, o grau mais baixo da condição humana. Agora em ‘Paperboy’ é Lee Daniels, o autor do chocante ‘Precious’, quem eleva ainda mais a fasquia. Na entrevista que nos concebeu em Cannes, a ex-mulher de Tom Cruise confirmou o que já sabíamos: é uma atriz destemida que segue o seu instinto e se entrega totalmente nos papéis em que acredita. Como se de uma segunda pele se tratasse. Ficamos à espera de a ver como Princesa Grace do Mónaco…

Não há dúvida de que este é o papel mais ousado da sua carreira. Ficou surpreendida com a sua própria ousadia?

  Bom, quando interpreto uma personagem vou para um lugar muito secreto e íntimo. Aí eu existo de uma forma diferente. Aí o medo não entra, apenas o desejo de contar a verdade da personagem.  

Numa cena já famosa, provoca John Cusack que está preso e leva-o a satisfazer-se sexualmente… 

Bom, não precisamos de entrar em muitos detalhes, mas estamos a falar de uma cena em que ela o visita na prisão. Na verdade, encontrei-me com mulheres que têm ou tiveram os maridos na prisão. O que lhe posso dizer é que o que se vê neste filme é apenas uma facção da realidade… 

Como foi essa experiência, em que se exibe para ele se satisfazer sexualmente? 

Nós nunca nos encontramos enquanto ‘John’ e ‘Nicole’. Apenas o conheci na rodagem. Foi aí que decidi que apenas o iria conhecer enquanto personagem. Nunca falei com ele enquanto John. E rodamos esta cena de sexo logo no primeiro dia. 

Porquê? O Lee Daniels não acredita em ensaios? Sentiu-se confortável a iniciar o filme assim? 

Há alturas em que apenas pensamos em ir em frente. Eu pensei que seriam apenas três takes, mas pareceu que foram uns cem… 

Com o Zac Efron acaba por ter a igualmente famosa cena igualmente explícita e sexy. Como se preparou para ela?

 Quanto ao Zac procurei mantê-lo sempre à distância e mantive-me sempre um pouco dentro da personagem. Mas foi diferente. O John é muito mais experiente… 

Sim, o Zac é muito mais novo, tem mesmo esta aura de miúdo…

 Olhe que não é assim tão miúdo… Felizmente, o Lee ensinou-me a ser esta mulher forte. 

Mas o Zac Efron disse-nos na nossa entrevista que a Nicole era muito destemida. Acha que ele tem razão?

 Não. Na verdade, tive imenso medo. Mas acho que consegui vencê-lo. 

Como? Por vezes, são outras pessoas que me incentivam , outras vezes sou eu própria. Nem sei como descrever. Quando me sinto aterrorizada fico a pensar o pior que poderão pensar de mim.  

Quando leu essas cenas percebeu logo o que estava em causa? Mas mesmo assim não teve qualquer dúvida em avançar? 

Um pouco talvez. Pois não sabia se tinha aquilo que era necessário para tornar real a cena. A verdade é que tenho uma imaginação muito fértil e um poder enorme de me transformar. Sempre consegui transformar-me completamente numa outra pessoa. Consegui fazer isso deste que era muito jovem. 

O facto de ser um filme realizado por Lee Daniels, o autor do igualmente arrojado ‘Precious’  (2009) já a preparava por assim dizer para uma disponibilidade maior?

 Quando vi ‘Precious’ fiquei impressionadíssima e quando saí do filme não conseguia parar de chorar. Por isso, quando o Lee me ofereceu o papel em ‘Paperboy’ sabia que não iria ser um passeio no parque… 

Estava preparada para dar-lhe tudo?

 Estava preparada para lhe dar a verdade. Isso é uma parte importante deste filme. Ainda não vi o filme, mas acredito no que fiz e confio no realizador. Isto sou eu.

Sentiu que este era o momento e o papel certo para a sua carreira?

 Eu não penso em função da minha carreira – se calhar deveria fazê-lo, mas isso não tem a ver comigo. Não tenho um plano. Não faz parte da minha natureza.  

Sente que é uma pessoa impulsiva?

 Não sei, mas ambos os maridos que tive (o ator Tom Cruise e o músico Keith Urban, com quem vive) casei-me com eles dois meses depois de os conhecer.  

Por instinto?

 Sim. É assim que eu sou. É assim que escolho os papéis que interpreto não penso demasiado nas consequências. Vivo e morro assim. Às vezes funciona, às vezes não, mas está de acordo com a minha natureza espontânea.

É verdade que teve de aumentar de peso para fazer o filme? 

Sim, um pouquinho, apenas para tornar o meu corpo um pouco mais voluptuoso (risos). 

A Nicole tem vários projetos, mas um deles é para encarnar a Princesa Grace, do Mónaco. Como se prepara para um papel assim? (esta entrevista foi executada em maio de 2012 e na altura a atriz ainda não tinha começado as filmagens desta obra)

Ainda não comecei a preparação. Mas estou muito interessada. Desde logo porque tem um guião maravilhoso. Apesar de não ser um filme biográfico, mas apenas uma parte da vida dela.  

Que parte é essa? 

Quando ela já está com o Rainier. É bastante política, devo dizer. Vai ser muito interessante fazer ‘Grace of Monaco’ e estou com vontade para trabalhar com o Olivier (Dahan, o realizador). Será neste papel que me irei concentrar o resto do ano.

 

 

 
 
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