Depois de ter passado por festivais como Sitges 2011, o filme «The Victim», um conto de vingança em estilo muito “grindhouse” sobre uma mulher que se junta a um eremita para vingar a morte da sua melhor amiga, chega hoje ao Fest em Espinho.
A maior curiosidade em torno deste violento filme é, sem dúvida, ele marcar a estreia na realização do actor de culto Michael Biehn. O ator de 55 anos do Alabama celebrizou-se nos anos 80 como o grande protagonista dos primeiros filmes de James Cameron: ele era o herói Kyle Reese em «The Terminator» (Exterminador Implacável) e o soldado Hicks em «Aliens». Em 1989, Biehn foi o vilão de «The Abyss» (O Abismo) também de Cameron.
Os seus anos 80 também foram marcado por ter integrado o elenco da mítica série «A Ballada de Hill Street».
Seguiram-se aparições de destaque em filmes como «Tombstone» e «The Rock». No entanto, o ator viu a sua carreira empancar ao longo dos anos ’00 com o abrandamento do cinema de acção.
No entanto, Biehn recusou-se ser ele próprio uma vítima e nos anos 2010 lançou de cabeça com a sua produtora BlancBiehn Productions – Rebels With a Crew com a sua esposa Jennifer Blanc, para além de aparecer como actor em inúmeros filmes como «Puncture», «The Divide» e «Take Me Home Tonight».
O seu primeiro filme é este «The Victim» que promete entreter o público de Sitges este fim-de-semana. Nele duas raparigas são violentamente atacadas num bosque por um grupo de homens. Uma delas foge e encontra «um Kyle», um homem misterioso que vive isolado do mundo e que se apaixona por ela e decide ajudá-la a vingar a morte da sua amiga.
O c7nema falou com Michael Biehn há uns meses atrás, numa entrevista conduzida por José Pedro Lopes.
O que devemos esperar de «The Victim»?
Uma peça “bad ass” – um duro filme “exploitation”.
O que te fez der o salto de actor para realizador?
O James Cameron (que o dirigiu em «The Terminator», «Aliens» e «The Abyss») sempre me disse que devia realizar, que tinha uma abordagem muito visual como actor. Quando estive a rodar «The Divide» (de Xavier Gens) no ano passado, vi um miúdo a ler o ‘Rebel with a Crew’ (livro sobre realização no-budget de Robert Rodriguez – que dirigiu Biehn em «Planet Terror») e pensei “porque não”?
Na rodagem de «The Victim» decidiste começar por fazer uma cena de amor que envolve a tua personagem e a de Jennifer Blanc (esposa na vida real de Biehn) para quebrar o gelo. Isso ajudou a descontrair o resto da equipa?
Penso que o meu compromisso e da Jen para com o filme ficou bastante claro nessa cena de paixão, e definiu o tom para toda a rodagem. Diria que sim, funcionou. Foi uma das filmagens mais descontraídas onde estive apesar de ter a pressão de estar a realizar.
Qual a origem desta história?
«The Victim» é baseado num argumento de Reed Lackey… achei que era interesse. Estava disponível e era barata.
Como foi trabalhar com a tua mulher Jennifer Blanc e dirigi-la no ‘set’?
Foi divertido, frustrante e difícil, mas acima de tudo um grande prazer.
E com Danielle Harris (‘scream queen’ do terror série B que é a vítima de abertura que o c7nema entrevistou recentemente)?
Foi muito fácil e divertido porque ela é uma grande amiga minha e da Jennifer na vida real. Ela é muito profissional e basicamente dirigiu-se a ela própria. A certo ponto, ela é que me dirigiu a mim: avisou-me que precisava de determinado plano para edição e, no final de contas, vim a descobrir que tinha razão.
Mas planeias realizar mais?
Sim! Sem dúvida! Mas vou continuar a apostar na minha carreira de ator também.
Fala-se muito de um novo «Terminator» e no regresso de Lina Hamilton e Arnold Schwarzenegger à série. Interessa-te voltar ao papel de Kyle Reese de alguma forma?
Não vejo isso a acontecer. Ainda menos sem o James Cameron envolvido.
Qual dirias que foi o filme mais importante da tua carreira?
«The Terminator» do James Cameron. Foi o filme que me lançou e com base no qual toda a minha carreira foi construída. E agora, o ‘The Victim’ porque é o meu primeiro passo como realizador, que é algo que eu gostava que fosse o meu futuro.
O «The Victim» custou apenas 900.000 dólares, é um verdadeiro “grindhouse”. Que farias se tivesse possibilidade de fazer um filme com grande orçamento?
Faria uma filme de ação a sério, em grande. Sem CGI apenas acção real, com perseguições de carros e saltos perigosos, lutas suadas com gajos a caírem pelas escadas abaixo em chamas. Rebentava coisa (“blow stuff up”)!

