Entrevista a Thomas Horn, o jovem ator de «Extremamente Alto, Incrivelmente Perto»

(Fotos: Divulgação)

Oskar Schell (Thomas Horn) uma espécie wizkid em “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, na abordagem serena de Stephen Daldry ao trauma do 9.11, partindo da novela ‘best seller’ de Jonathan Safran Foar, e olhando mais para as pessoas como a melhor forma de terapia. Com o pai (Tom Hanks) aprendeu a ser perseverante e a decifrar enigmas complexos. Até que um dia, o dia 11 de setembro de 2001, o céu caiu-lhe em cima da cabeça. Ou melhor do pai, que estava numa reunião nas Torres Gémeas. Vive agora o trauma combinado com o misto de desafio, um derradeiro e enigma, que o fará contactar procurar incessantemente um tal Black no meio da grande Maçã, relatando a sua história e compilando informação sobre cada pessoa. Resignada e confiante está a mãe (Sandra Bullock). Como companhia acabará por ter um tal “arrendatário” (Max von Sydow) que apenas comunica através de notas que escreve num bloco e com as tatuagens de sim e um não na palma das mãos. 

A maior surpresa for perceber que Thomas é igual a Oskar. É um menino prodígio chamado Thomas Horn, à espera de ser descoberto, acentuado pelo facto de este ter sido o seu primeiro trabalho de ator. Apesar do próprio dizer “não sei se farei algum outro filme”. Durante a nossa entrevista em Berlim ficámos com a sensação de que é apenas uma questão de tempo até ouvirmos mais elogios de Thomas Horn.

Uma interpretação espantosa, Thomas.

Obrigado. Ainda bem que gostou.

Como foi a preparação para este filme?

Tive dois meses de ensaios, o que é algo longo para um filme. É claro que nunca tinha representado na minha vida, mas o realizador (Stephen Daldry) fez o melhor que pode comigo. E eu estou-lhe agradecido. Ela sabe o que faz. Ensinou-me um método específico de perceber como a personagem sente o que sente. Gostei disso, porque sou uma pessoas muito lógica.

Apesar de nunca ter trabalhado como ator, imagino que é o que fará daqui em diante. Pelo menos é o que espero…

Ainda bem, que gostou tanto. Mas na verdade nem sei se farei algum outro filme. Tenho algumas propostas em consideração para filmes, mas nada está decidido. Apenas sei que quero continuar na escola a aprender. E ir para a universidade.

O que foi para si compreender o que foi o 11.9?

Eu tinha apenas três anos. Nesse dia não percebi muito bem o que aconteceu. E cresci em São Francisco que é um dos pontos mais distantes de Nova Iorque. Agora compreendi o que aconteceu de um ponto mais emocional. Falei com pessoas que perderam familiares, e isso ajudou-me. Mas também percebi que as pessoas aprenderam a seguir em frente.

Trabalhou com grandes estrelas do cinema – Tom Hanks, Sandra Bullock, Max von Sydow. O que aprendeu com eles?

Aprendi muito. Mas talvez a coisa mais importante e que tenho de ser natural para ser credível. A personagem tem de ser real.

Como foi a sua relação com o Max, uma vez que ele falava apenas por papéis escritos?

Foi ótimo. Tal como os outros, também me ajudou. O facto de escrever as notas acabou por não alterar muito a nossa forma de trabalho.

Disse que era uma pessoa muito lógica. De onde acha que isso vem? E de que forma isso o terá ajudado a ficar com este papel?

Não sei de onde virá. Talvez da minha família, pois são todos muito lógicos. São muitos inteligentes. Ambos os meus pais são médicos. 

Se não vier a ser ator, o que quererá então ser?

Não sei bem, mas acho que estudarei algo interessante. Matemática, História…

Apesar das diferenças, poderemos dizer que a personagem do Oskar tem algo de si?

Não somos muito parecidos. Até porque nunca experimentei esse lado emocional de perder um ente querido. Mas ambos somos pessoas lógicas e gostamos de coisas que façam sentido.

Tem algum outro projeto?

Nada de momento. Tenho algumas propostas, mas nada em concreto.

Acha que o seu estudo o poderá também a ser ator?

Acho que pode ajudar, mas não vejo como ser ator me ajudará nos meus testes…

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