Faleceu, aos 83 anos, em Berlim, o cineasta Rosa von Praunheim, figura incontornável do cinema alemão e da história do movimento LGBTQ+.
Nascido Holger Radtke, ele foi buscar o seu nome artístico ao triângulo Rosa usado pelos nazis para marcar homossexuais, e “Praunheim” a um bairro de Frankfurt, onde passou parte da sua juventude. Ao longo de cinco décadas, realizou mais de 150 curtas e longas-metragens, entre ficção e documentário, sempre num registo provocador, colorido, frontal e inconformado, que recusava o conforto e apostava no confronto.
Recusando idealizar a comunidade gay, von Praunheim foi – ainda assim – uma das vozes mais combativas do ativismo na Alemanha, defendendo a visibilidade como condição para a mudança social.
O seu cinema desafiou normas, expôs hipocrisias e rompeu tabus, com destaque para It Is Not the Homosexual Who Is Perverse, But the Society in Which He Lives (1971). O seu último filme, Satanic Sow (2025), vencedor de um Teddy Award na Berlinale, funcionava como despedida autobiográfica e experimental de alguém que, ao seu jeito, produziu um arquivo alternativo da cultura queer alemã, as vidas, lutas, fracassos e excessos.

