Paris relembra Abbas Kiarostami com retrospetiva completa

(Fotos: Divulgação)

Quem estiver em Paris, de 19 de maio a 26 de julho de 2021, poderá visitar o Centre Pompidou e assistir a uma retrospectiva completa e uma grande exposição sobre o cineasta de autor, figura central da Nova Vaga Iraniana, poeta, pintor e director artístico Abbas Kiarostami.

Programado inicialmente para abril de 2020, o evento “Abbas Kiarostami, Caminhos para a Liberdade” (Les chemins de la liberté) foi adiado devido à pandemia, surgindo agora, a tempo da reabertura dos espaços culturais em França.

Os 46 filmes que compõem a filmografia de Kiarostami estão presentes, incluindo o vencedor da Palma d’Ouro de 1997, “O Sabor da Cereja“.

Falecido em 2016, Kiarostami formou-se em Belas-Artes e começou por realizar filmes publicitários e trabalhos gráficos na década de 60. A partir de 1969 faz os seus próprios filmes no Kanun (Centro de Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens Adultos) e o seu primeiro trabalho com o título internacional de “The Bread and Alley” (1970) aborda o conflito entre um pequeno rapaz e um cão ameaçador que o não deixa regressar a casa. A infância seria um tema que continuaria a abordar em obras posteriores, como outras curtas, mas também no filme com o qual começou a adquirir reconhecimento fora do Irão, “Onde Fica a Casa do Meu Amigo?” (1987), retrato comovente de um rapaz que divaga solitário pelas ruas de várias cidades com o propósito de devolver o caderno de trabalhos-de-casa a um amigo que seria expulso da escola se não os tiver resolvido. O filme iniciou a Trilogia de Koker, constituída ainda por “E a Vida Continua” (1992) e “Através das Oliveiras” (1994).

Abbas Kiarostamis a receber a Palma d’Ouro ao lado da atriz Catherine Deneuve

Foi, no entanto, com “Close-Up” que obteve a atenção internacional devida, tendo o próprio Nanni Moretti feito uma curta-metragem em torno do mesmo (Opening Day of Close-Up1996). Neste trabalho intensivo de busca sobre a Verdade, Kiarostami parte de um caso real, onde um ladrão fez-se passar pelo cineasta Mohsen Makhmalbaf, convencido uma família a aceitá-lo na casa deles.

Além do já referido “O Sabor da Cereja“, destaca-se ainda na sua obra “O Vento Levar-nos-á” (1999), vencedor do Grande Prémio Especial do Júri em Veneza desse ano; “Dez” (2002), obra em dez cenas, todas passadas no interior do mesmo carro; “Shirin” (2008), encenação de uma peça persa que, ao invés de registar a ação do palco, prefere contemplar os rostos de 115 espectadoras, entre elas Juliette Binoche; “Cópia Certificada” (2010), sobre a desintegração de um casamento fingido por uma galerista francesa e um escritor inglês; e “Like Someone In Love “(2012), sobre a amizade enigmática entre uma estudante e um idoso, numa Tóquio só deles.

Exposição

Ocupando uma área com mais de 1000 metros quadrados, “Onde está o amigo Kiarostami? “(referência a “Onde Fica a Casa do Meu Amigo?) leva-nos ao coração da poesia do artista através de 13 módulos. Inúmeras séries inéditas estão em exibição, entre trabalhos gráficos e fotográficos do iraniano.

Além das paredes do Centro Pompidou

Esta homenagem a Abbas Kiarostami vai além das paredes do Centro Pompidou, com exibições em Paris
e em toda a França com a reabertura das salas. Obras-primas e tesouros invisíveis numa versão restaurada serão exibidos em colaboração com a Carlotta Films. 10 filmes, 7 curtas-metragens e tantas aulas de cinema, combinados em 10 sessões.

Paralelamente, a Potemkine lançará 5 novas edições em DVD e Blu-ray, com muitos suplementos exclusivos.

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