Marion Cotillard e Melvil Poupaud no novo filme de Arnaud Desplechin

(Fotos: Divulgação)

Com “Tromperie” preparado para estrear este ano, o realizador francês Arnaud Desplechin – conhecido por filmes como “Três Recordações da Minha Juventude” e “Roubaix, Misericórdia” – tem já um novo projeto em marcha.

Com o nome “Frère et soeur“, no filme o cineasta gaulês vai reencontrar a estrela do seu “Os Fantasmas de Ismael“: Marion Cotillard. Com ela no elenco vai estar Melvil Poupaud. No filme, a dupla vai representar um duo de irmãos com quase cinquenta anos. Alice é atriz e Louis foi professor e poeta. Eles não se falam e evitam-se há mais de vinte anos, mas voltarão a cruzar-se quando os seus pais morrerem. “A vida é apavorante e os filmes mergulham-nos nesse pavor, mas consertam [as relações]. Com este filme fui em busca desse conserto”, diz Desplechin sobre o projeto.

Melvil Poupaud em “Graças a Deus

Recorde-se que em “Tromperie“, que foi filmado em setembro passado com enorme descrição, encontramos no elenco Léa Seydoux (que vimos em “Roubaix, Misericórdia“), Denis Podalydès, Emmanuelle Devos e Gennadi Famin. O filme adapta “Engano“, livro de Phillipe Roth, onde no centro da ação estão estão dois adúlteros no seu esconderijo.

Em entrevista ao Liberation , o cineasta conta que a ideia surgiu durante o confinamento: “Durante o confinamento, enquanto escrevia um roteiro que assume um grande elenco, figurantes, uma agenda complicada e muitas locações, veio-me à mente um projeto muito antigo, que ficou em suspense porque nunca tinha encontrado a sua forma.  De repente, a modéstia ressoou com as circunstâncias impostas. As personagens ficaram confinadas à solidão, como eu (…) Com a minha coargumentista, Julie Peyr, levamos esse antigo guião de A a Z. Ao escrever, é como se um tapete desenrolasse-se sob os nossos pés: os nossos dois heróis estão trancados num escritório do escritor, como estávamos trancados no confinamento, e surgiam soluções para cada problema (…). Tromperie” ocorre numa época de sonhos, antes do colapso das Torres Gémeas, antes da queda do Muro [de Berlim], e com refugiados, mulheres do leste em particular. (…) É uma sucessão de diálogos entre Philip – um óbvio duplo ficcional do escritor – e várias mulheres: a sua esposa, uma amante e às vezes outras personagens inventadas“.

Léa Seydoux e Denis Podalydès em “Engano

Em entrevista ao c7nema, em 2019, Arnaud Desplechin já tinha manifestado o seu fascínio pelo autor norte-americanos: “Lia as novelas do Philip Roth e a ação delas passava-se em Newark. Quando visitas Newark, não há nada para ver. A humildade dele dizer que não pertence a Manhattan, como a minha em dizer que não pertenço a Paris, Lyon ou Marselha. Pertenço a uma cidade humilde [Roubaix] e foi nela que filmei o meu primeiro filme, “La vie des morts”. Quis ter orgulho onde muitos têm vergonha, mostrar esta cidade e os seus problemas numa bandeira. A verdade é que volto sempre a esta cidade que odiava quando era miúdo, e da qual estava super feliz de ter escapado. E claro, é sempre uma boa razão regressar para visitar os meus pais.


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