Arranca na próxima terça-feira, 16 de março, mais uma edição do South by Southwest (SXSW), um dos maiores eventos do mundo a unir cinema, música e tecnologia. Com uma forte programação cinematográfica, além de inúmeras conferências e debates ligadas ao mundo das artes e entretenimento no pós-pandemia Covid-19, o festival estende-se até dia 20 de março, em Austin, no Texas (EUA), mas desta vez com a sua programação online.
Aliás, o nome desta edição é específico – SXSW Online 2021 – e na sua vertente de cinema vai contar com a exibição de 75 filmes, incluindo 57 estreias mundiais, 3 estreias internacionais, 4 estreias norte-americanas, 1 estreia nos Estados Unidos, e 8 estreias no Texas. Das 75 longas-metragens, 53 são de realizadores estreantes, transformando este evento numa verdadeira incubadora de talentos em solo norte-americano. Muitas das obras estão apenas disponíveis para exibição nos EUA, mas existe uma quantidade considerável acessível globalmente.

Além disso, há ainda 84 curtas-metragens a serem apresentadas, incluindo vídeos musicais, 5 estreias de séries, 6 episódios pilotos de projetos de tv que esperam avançar, 20 projetos de cinema virtual, 14 inscrições de design de títulos e 30 eventos especiais, que vão reunir figuras de peso do cinema e entretenimento norte-americano, como Barry Jenkins, Demi Lovato, Kevin Smith, Jada Pinkett, Cristin Milioti, Mark Duplass, Natalie Morales, Edgar Wright, Elizabeth Banks, Mary J. Blige, James Cameron, Ava DuVernay, Cynthia Erivo, Taraji P. Henson, Matthew McConaughey e The Russo Brothers.
O filme de abertura do SXSW Online 2021, em estreia mundial, é “Demi Lovato: Dancing with the Devil”, um original do Youtube assinado por Michael D. Ratner. O documentário explora todos os aspectos que levaram à overdose quase fatal de Lovato em 2018 e o seu despertar em seguida.

Será também através do registo documental que circulam algumas das pérolas de maior interesse do certame, com personalidades como o músico Tom Petty (Tom Petty, Somewhere You Feel Free), a atriz Selma Blair (Introducing, Selma Blair), o realizador Kevin Smith (Clerk) e a whistleblower Reality Leigh Winner (United States vs. Reality Winner) em foco em filmes que vão dar certamente que falar. Temas como as mulheres do Daesh (The Return: Life After ISIS), a dependência de drogas nos EUA (The Oxy Kingpins), os protestos em Hong Kong (Red Taxi), o racismo (Who We Are: A Chronicle of Racism in America), e a vida (e morte) dos migrantes que tentam atravessar para aos EUA (Aguilas) estarão também destaque.

Na ficção, 10 filmes concorrem ao prémio principal, a maioria de cineastas a dar os primeiros passos nas longas-metragens, mas já com carreiras de grande interesse nas curtas. É o caso, por exemplo, da realizadora Kelley Kali, vencedora do Oscar de melhor curta-metragem de ficção em 2018 e que se estreia a solo nas longas-metragens com “I’m Fine (Thanks for Asking)”, onde é acompanhada no elenco por Dean Cole (Black-ish).
Temos ainda “Potato Dreams of America”, de Wes Hurley, que parte da sua curta documental de 2017, “Potato Dreams”, para executar uma comédia de humor negro autobiográfica sobre um jovem gay que cresce na União Soviética e que foge para a América.

Na secção de cinema mundial, Global, encontramos a surpresa escandinava “Ninja Baby”, que já passou por Berlim, o drama das mulheres de Juárez, no México, em “Luchadoras”, as mulheres no Egipto e a sociedade patriarcal em “Trapped”, e os anseios da juventude no finlandês “Fucking with Nobody”. Já na secção Spotlight, ainda encontramos a estreia do brasileiro Lázaro Ramos na realização de longas-metragens com o distópico “Medidas Provisórias“.
E há ainda uma secção da meia-noite, dedicada ao cinema de horror e fantástico, onde se destaca o documentário de 3h20 de Kier-La Janisse sobre o Folk Horror, “Woodlands Dark and Days Bewitched: A History of Folk Horror“; o eco-thriller “Gaia“; e o ultra-violento, de fantasia e animação, “The Spine of Night“.
Uma nota final para uma verdadeira relíquia que será apresentada: “J’ai Été Au Bal”, de Les Blank e Chris Strachwitz. O filme de 1989 – apresentado numa versão restaurada 5K – segue a história da música Cajun e Crioula / Zydeco do sudoeste da Louisiana, contando com desempenhos emocionantes de Clifton Chenier, Marc e Ann Savoy, e BeauSoleil, entre outros.

