Mais de 50% das salas de cinema podem encerrar no final do ano, disse hoje à agência Lusa o diretor-geral da Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais (FEVIP), António Paulo Santos.
Segundo os dados mais recentes do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), até setembro deste ano registaram-se quebras de 71%, face a 2019, tanto em número de espectadores como em receitas de bilheteira nas salas de cinema.
António Paulo Santos lembra os “custos elevadíssimos” da exibição em Portugal – com cinemas a terem de pagar rendas acima dos 100 mil euros mensais, e a eletricidade a ficar nos 3 mil euros – e pede medidas como financiamentos com taxas de juro baixa para as empresas exibidoras e uma aplicação efetiva da flexibilização de rendas de aluguer de espaços, a maioria em centros comerciais.
“Se estas empresas encerrarem, e estamos a falar de mais de 50% das salas de cinema que podem encerrar até ao final do ano, deixamos de ter uma oferta eclética e cultural a nível do território nacional e que os portugueses gostam de ver”, alerta António Paulo Santos.
Apesar de nos últimos meses ter existido uma recuperação de receitas e espectadores gradual, esses valores continuam muito aquém das estatísticas do ano passado, estando agora a pairar sobre as salas uma nova potencial “tormenta”: o estado de emergência que deverá ser anunciado entre 9 e 23 de novembro.

