Sean Connery, o ator escocês que chegou à fama planetária no papel de James Bond e tornou-se uma das estrelas internacionais mais populares do cinema, morreu aos 90 anos, avança a imprensa internacional.
Descendente de irlandeses e escoceses, Sean Connery nasceu a 25 de agosto de 1930 em Fountainbridge, Edimburgo, filho de uma empregada da limpeza e de um operário e motorista de camiões. Antes de começar a atuar, Sean passou por muitas profissões diferentes, como leiteiro, motorista, operário, polidor de caixões, modelo artístico no Edinburgh College of Art e fisiculturista. Fez parte da Marinha Real, mas mais tarde foi dispensado devido a problemas de saúde. Aos 23 anos, teve a opção de se tornar um jogador de futebol profissional ou ator e, embora se mostrasse muito promissor no desporto, escolheu a atuação, definindo anos mais tarde essa opção como uma das decisões mais importantes da sua vida.

A sua estreia no cinema e televisão ocorreu na década de 1950, mas foi apenas em 1962 que ganhou notoriedade com “Agente Secreto 007” (1962), naquele que viria a ser o franchise de maior sucesso da história do cinema. Atuando seis vezes como o agente 007, ao serviço de sua majestade, Connery tornou-se um símbolo do cinema, mas igualmente muitos duvidaram que se livrasse dessa personagem e construísse uma carreira no cinema fora ela. Sim, grande parte da sua carreira foi moldada a construir James Bond, mas igualmente a mostrar-se capaz de atuar noutros registos, largando essa imagem. E ao longo de várias décadas, mais propriamente até 2003, quando teve o seu último papel “físico” na 7ª arte em “Liga de Cavalheiros Extraordinários“, Sean Connery tentou mostrar que era mais que o icónico James Bond no cinema, conseguindo-o em registos inesquecíveis como a personagem de Jim Malone nos “Os Intocáveis” de Brian De Palma, o “imortal” Ramirez em “Duelo Imortal“, o Zed da pérola cinematográfica “Zardoz“, e William von Baskerville em “O Nome da Rosa“.
Deu nas vistas ainda em “Casa da Rússia“, “Caça ao Outubro Vermelho“, ” Um Crime no Expresso do Oriente” e ganhou uma verdadeira fortuna – por uma aparição de minutos – em “Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões“. Entrou pelo “Sol Nascente” a dentro com Wesley Snipes, visitou os pântanos com Laurence Fishburne no thriller policial “Causa Justa“, brilhou ao lado de Nicolas Cage em “O Rochedo” de Michael Bay, e surgiu na adaptação ao cinema do sucesso britânico da TV, “Os Vingadores“.
Um dos seus últimos papéis, além do desastre que foi a adaptação da obra de Alan Moore ao cinema, foi “A Armadilha” de John Amiel, onde atuava ao lado da “novata” Catherine Zeta-Jones, em 1999.
Insatisfeito por natureza, Sean Connery disse uma vez: “Mostrem-me um homem satisfeito e eu aponto o local da cicatriz da lobotomia“.
Connery publicou sua autobiografia, “Being a Scot“, coescrita com Murray Grigor, em 2008. Além do título de Cavaleiro e do Oscar conquistado pela prestação em “Os Intocáveis“, Connery recebeu muitos elogios ao longo da sua longa carreira, incluindo o prémio Cecil B. DeMille nos Globos de Ouro em 1996, um BAFTA em 1998,e o prémio do American Film Institute pelo conjunto da obra em 2006.








