Três curtas inéditas de Jean-Claude Brisseau exibidas online

Os três trabalhos de Jean-Claude Brisseau foram confiados à Cinémathèque por Lisa Hérédia, companheira e colaboradora do cineasta.

(Fotos: Divulgação)

Três curtas-metragens, completamente inéditas e as primeiras filmadas por Jean-Claude Brisseau, vão estar em exibição nos dias 12, 13 e 14 de junho na chamada 4.ª sala da Cinemateca Francesa, a Henri, o espaço online criado pela instituição durante os tempos de confinamento. 

Rodados entre 1966 e 1968, os filmes foram restaurados pela Cinémathèque Française este ano.

Assim, serão exibidos os seus trabalhos em 8 e Super8 “Dimanche après-midi” (a partir das 20h30 desta sexta-feira, dia 12 de junho), “L’Après-midi d’un jeune homme qui s’ennuie” (a partir das 20h30 do dia 13 de junho), e “Mort dans l’après-midi” (a partir das 20h30 do dia 14 de junho).

Falecido a 11 de maio de 2019, aos 74 anos, realizador de filmes como “Noce blanche”, “Os Anjos Exterminadores” e “A Rapariga de Parte Nenhuma” Jean-Claude Brisseau foi uma figura valorizada mas considerada polémica dentro do circuito cinematográfico francês após uma condenação no tribunal em 2005 por assédio sexual. Após o caso Weinstein e o surgimento do movimento #MeToo e o equivalente francês #balancetonporc , a Cinemateca Francesa decidiu cancelar uma retrospetiva que tinha preparada sobre a sua obra em janeiro de 2018, logo após vários protestos irromperem pela existência de um ciclo semelhante dedicado a Roman Polanski, em novembro de 2017 .

Recorde-se que antes de falecer, e logo após o cancelamento da sua retrospetiva e críticas à sua pessoa, Brisseau chegou a dizer que tempos atuais de “delação” revoltavam-no e que vivemos novamente numa histeria mccartista. “Confesso que o caso da minha retrospetiva cancelada na Cinemateca escandalizou-me (…) Quando vemos o que acontece nas artes, onde abordamos um conto de fadas a dizer que o príncipe da Bela Adormecida é um predador sexual, sinto que estamos a caminhar de forma irracional. Entrámos numa época de caça às bruxas”. 

O realizador disse ainda  – à Paris Match – que a imagem que era vendida dele era a de um “super-violador” e que por causa destas polémicas não conseguiu mais filmar com grandes vedetas do cinema francês.

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