Morreu o cineasta mexicano Gabriel Retes (1947-2020)

(Fotos: Divulgação)

Tinha 73 anos 

Filho do ator e realizador Ignacio Retes e da atriz Lucila Balzaretti, Gabriel Retes nasceu a 25 de março de 1947 na Cidade do México e começou a atuar no teatro aos 12 anos de idade.

Nos anos 70 começou a realizar curtas-metragens em Super 8 e desenvolveu uma extensa filmografia – com mais de 30 produções nas suas cinco décadas de atividade. Juntamente com Alfredo Gurrola, Retes foi um dos poucos cineastas que, do Super-8, conseguiu entrar na indústria cinematográfica mexicana graças à criação de empresas estatais de produção nos anos 70. A sua primeira obra profissional, Chin chin el teporocho (1976), foi convidada para estar no Festival de Locarno e venceu o Prémio Ariel de Melhor Primeiro Filme.

Na sua segunda longa-metragem, Nuevo Mundo (1976), o cineasta viu-se censurado devido à controvérsia que gerou em torno da temática (a divindade do Vírgem de Guadalupe). Desde então, e devido a sua abordagem filosófica a assuntos políticos, Retes é considerado um dos cineastas mexicanos mais politicamente conscientes. Levou Flores de Papel (1978) ao Festival de Berlim e já nos anos 80 assina Mujeres salvajes (1984), filme de ação e aventuras que escandalizou com as suas imagens, já que mostra cenas de violência, tortura, nudez e sexo, incluindo referências à homossexualidade e lesbianismo.

Foi nos anos 90 que assinou um dos seus trabalhos mais recordados, El bulto, no qual aborda o Halconazo de 10 de junho de 1971 [o Massacre de Corpus Christi, em 1971, quando cerca de 120 estudantes que protestavam foram mortos por um grupo paramilitar conhecido como Los Halcones], mas através do olhar de Lauro, um jornalista que permanece em coma e acorda 20 anos depois. Retes queria fazer uma segunda parte de El bulto, mas nunca o conseguiu concretizar devido a razões financeiras. 

Nos últimos anos, Retes concentrou-se no teatro, e uma das adaptações mais marcantes que trabalhou foi a adaptação aos palcos de Trainspotting, de Danny Boyle. Os seus últimos filmes foram La Revolución y los artistas (2018), onde conta a história de amor do pintor Dr. Atl e a poeta e pintora Nahui Ollin. O seu último projeto, Identidad Tomada, espera ainda a sua estreia nas salas.

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