Adeus Sarah Maldoror (1938-2020)

(Fotos: Divulgação)

A pioneira do cinema pan-africano Sarah Maldoror morreu em Paris, aos 91 anos, esta segunda-feira, devido a complicações do coronavírus

Nascida Sarah Ducados, ela escolheu o seu nome artístico como homenagem a Os Cantos de Maldoror, obra do poeta surrealista Lautréamont. A sua carreira começou no teatro, tendo fundado a Compagnie d’Art Dramatique des Griots em Paris em 1956, a primeira trupe composta por atores africanos e afro-caribenhos que foi criada “para chamar a atenção de artistas e escritores negros“.

Conhecida por diversos documentários, Maldoror iniciou-se no cinema com Monagambée, curta de 1968 – presente na Quinzena dos Realizadores de Cannes em 1971 – que examina o tratamento brutal que os prisioneiros políticos angolanos eram sujeitos a partir da adaptação do conto O fato completo de Lucas Matesso (1967), de Luandino Vieira. Com Des fussils pour Banta, Sarah teve a sua primeira longa-metragem, projeto que foi travado e apreendido pelo governo revolucionário argelino depois de considerá-lo excessivamente ambíguo.

Deu nas vistas com Sambizanga (1972), filme franco-angolano-congolês com base na novela A vida verdadeira de Domingos Xavier, igualmente de José Luandino Vieira. O cenário é Angola e o filme segue as lutas dos militantes angolanos envolvidos no Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual o marido de Maldoror, Mário Coelho Pinto de Andrade, era líder. Seguiram-se mais de vinte filmes, destacando-se documentários que destacaram artistas negros como o poeta Aimé Cesaire.

Uma das primeiras mulheres a filmar em África, Maldaror inspirou diversos realizadores, entre os quais Mathieu Kleyebe Abonnec, que em 2011 apresentou no circuito de festivais o documentário Preface à des fusils pour Banta, que imagina – a partir de três guiões possíveis – como seria o filme perdido da cineasta.

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