Confinado com a sua esposa na Normandia, em Auverville, o cineasta Claude Lelouch falou com a France Blue, descrevendo os tempos que vivemos como o “guião mais louco da história do mundo“

O cineasta cujo último filme, La vertu des impondérables, é ainda inédito em Portugal, mas cujo penúltimo, Os Melhores Anos da Nossa Vida, estreou no último fim de semana com as salas ainda abertas no território nacional (12 de março), prepara um novo filme, mas neste momento a única coisa que pode fazer é esperar até que seja possível regressar à normalidade e filmá-lo.
“Escrevo e, acima de tudo, tento falar com todos os meus amigos para lhes dar esperança.”, disse o cineasta, acrescentando que não gosta de “filmes que terminam mal” ou “bem“, embora sinta que no final desta imensa tempestade por que todos estamos a passar, “tudo vai acabar bem“: “Nunca pensei que seríamos confrontados com o que estamos a viver, mas sinto profundamente que, quando sairmos deste túnel, não veremos as pessoas da mesma maneira. Vamos amá-las de maneira diferente. O mundo precisava desta crise em algum lugar para que pudéssemos valorizar as coisas. Tornamo-nos crianças mimadas “.
Lelouch disse também que estes momentos de pandemia vão alterar a forma como os guiões vão ser escritos no futuro: “Pelo que está a acontecer agora e pelas emoções que estamos a passar, poderemos contar histórias de maneira diferente (…) Acho que não poderemos mais falar como costumávamos fazer. Tudo está a mudar, é uma verdadeira revolução que é global. Isto não é uma coisa francesa. Isto não é o maio de 68. (…) É realmente uma guerra mundial sem guerra e espero que apenas tenhamos os benefícios do período pós-guerra“.

