Triunfo de Polanski nos Césars: Coletivo 50/50 fala em “vergonha” e “vingança”

(Fotos: Divulgação)

 A consagração de Roman Polanski como melhor realizador nos Césars continua a gerar polémica
 

Numa mensagem publicada nas redes socias, o Coletivo 50/50, criado para “lutar pela distribuição inclusiva do poder” entre géneros na indústria do cinema, mostrou a sua indignação com a distinção concedida a Roman Polanski nos Césars, o principal prémio do cinema francês, na passada sexta-feira.

Que ninguém nos diga que esse voto coroou um artista: ele veio celebrar um homem.“, diz o grupo, cujos signatários registados incluem nomes como Gemma Arterton, Robin Campillo, Laurent Cantet, Valérie Donzelli, Virginie Efira,  Agnès Jaoui, Rebecca Zlotowski, Céline Sciamma e Adèle Haenel.

Que ninguém nos diga que esse voto não tem o gosto de vingança simbólica“, acrescenta o grupo, que fala em vingança “pelas palavras finalmente trazidas ao espaço público e que perturbam a ordem estabelecida. Vingança contra a ameaça do desaparecimento de privilégios.” 

Falando em vergonha combativa, raiva e tristeza”, o coletivo acredita que esse voto em Polanski foi “a última explosão de uma Academia [dos Césars] conservadora moribunda, condenada a renascer.

O rejuvenescimento etário dos membros da Academia, bem como uma maior inclusão étnica e de género são alguns dos desejos do 5050, que saúda a atitude da atriz Adèle Haenel “e a sua reação exemplar ao sair da sala, assim como todos os que a seguiram“, “a inteligência e coragem política de Florence Foresti na sua recusa em voltar ao palco após o anúncio do prémio“, “a vitória de Lyna Khoudri, Mounia Meddour e as suas palavras avassaladoras sobre as chances de apreensão e violência contra as mulheres na Argélia“, “a relevância do discurso político de Aïssa Maïga, a único a levar um pensamento interseccional” ao certame; e “o poderoso discurso de Swann Arlaud“, vencedor do César de melhor ator por Graças a Deus

Últimas