As filmagens começam em setembro

Capa de “Submissão” |Michel Houellebecq e Guillaume Nicloux em San Sebastián
Depois de trabalhar com Michel Houellebecq em “O Rapto de Michel Houellebecq” (2014) e “Thalasso” (2019), Guillaume Nicloux vai levar aos cinemas “Submissão”, uma obra do polémico autor que vendeu mais de 2 milhões de cópias em França.
Lançado em 2015, ano dos ataques contra o Charlie Hebdo, “Submissão” é editado em Portugal pela Alfaguara e imagina a chegada ao poder na França, em 2022, de um presidente de um partido político muçulmano. Jean-Paul Rouve vai desempenhar o papel principal, o de François, uma personagem houellebecquiana descrente e frustrada, isto apesar do seu sucesso no mundo académico.
Recordamos que em “Thalasso”, inédito entre nós, o cenário é um Spa, um centro de terapia de luxo na zona costeira de Cabourg. Aí, Michel Houellebecq e Gérard Depardieu recuperam. Tudo é tratado num registo documental numa linguagem muito próxima da Reality TV.
Num determinado momento deste filme, quando as duas figuras controversas estão sentadas a tagarelar sobre tudo e sobre nada, um homem aproxima-se e diz que ambos são a desgraça e um embaraço para França. Quando questionado pelo c7nema em San Sebastián sobre esse momento, Nicloux afirmou: “quem me dera ser a vergonha da França“. Segundo o cineasta, essa afirmação é algo de “bom” pois provoca uma reacção, talvez de raiva, rejeição. “Esses sentimentos estão dentro de uma pessoa e são sensações que não sentimos quando não estamos zangados com alguém em particular. De certa maneira, o Michel e o Gérard estão orgulhosos de ser um embaraço para a França, pois é uma reacção de pessoas que têm na realidade esse embaraço dentro de si próprios e o soltam”.

