Terry Jones, membro fundador dos Monty Python e realizador de três filmes da “trupe”, morreu aos 77 anos.

Diagnosticado com demência frontotemporal em 2016, que fez mesmo com que perdesse a fala, Terence Graham Parry Jones nasceu em Colwyn Bay, País de Gales, em 1942, e mudou-se para Inglaterra ainda em criança, crescendo no sudeste do país, em Surrey. Enquanto estudava literatura inglesa em Oxford, conheceu Michael Palin, com quem escreveu e se apresentou numa série de programas de TV ao lado de outras futuras estrelas da comédia britânica, como Graeme Garden, Bill Oddie, Eric Idle, John Cleese, Peter Cook e David Jason.
Em 1969, Palin e Jones juntaram-se a Cleese, Graham Chapman, Idle e Terry Gilliam num programa da BBC com o título Monty Python’s Flying Circus (Os Malucos do Circopt). Exibido até 1974, o programa foi escrito em grande parte por Jones e Palin, tornando-se um dos projetos mais influentes da história da BBC. Como membro dos Monty Python, Jones é lembrado pelos seus papéis de mulheres de meia-idade e o odiado “homem na rua”. Sobre os primeiros episódios de Flying Circus, Jones explicou que a audiência era constituída maioritariamente por reformados que pensavam que iriam ver um circo. “O Graham e eu estávamos a fazer o primeiro sketch – das ovelhas voadoras – e não houve muita reação. Os reformados estavam confusos“.
Foi em 1975, com Monty Python e o Cálice Sagrado, que se estreou na realização dos filmes do grupo, assinado ainda A Vida de Brian (1979) e O Sentido da Vida (1983). Depois da trupe concordar em não fazer mais longas-metragens, Jones experimentou outras paragens, como o filme Personal Services (1987), uma comédia baseada na história real da prostituta suburbana Cynthia Payne, e Erik the Viking (1989). Posteriormente, chegaram novos filmes e séries, a maioria para a TV, como um episódio de Indiana Jones – Crónicas da Juventude em 1992.

Terry Jones em A Vida de Brian
Forte opositor da guerra do Iraque, Jones publicou uma coleção de artigos no livro de 2004, Terry Jones’s War on the War on Terror. Em Portugal, em 2008, apresentou em Lisboa o musical Evil Machines, no qual assinou o libreto e a encenação, com música original do compositor português Luís Tinoco. Voltaria a marcar presença no pais em 2011, a convite do Festival de Cinema do Funchal.
O humor nunca largou Jones, mesmo nos momentos mais difíceis, como quando faleceu Graham Chapman, em 1989, na véspera da celebração dos 20 anos da trupe. “Achei de muito mau gosto ele morrer quando morreu. Um dos piores casos de desmancha-prazeres que já vi“, afirmou Jones na época.

