“Falar em ‘male gaze’ é censura”, diz Sara Forestier

(Fotos: Divulgação)

A atriz Sara Forestier, cujo primeiro filme que marcou a sua carreira foi A Esquiva de Abdellatif Kechiche, afirmou numa entrevista ao Libération em maio passado que acreditava haver muito “puritanismo” nas críticas ao cineasta francês de origem tunisina, responsável por filmes como A Vida de Adèle e Mektoub, My Love: Intermezzo. “Como devemos filmar os rabos? Na diagonal?“, questionou Forrestier na época sobre o denominado “male gaze” (olhar masculino).

Este fim de semana, e numa conversa com o C7nema em Paris, por ocasião do Rendez-vous du cinéma français, a atriz voltou a falar sobre o assunto, separando claramente as águas entre o comportamento dos indivíduos, a forma de verem as coisas e a visão artística. “Artisticamente é muito perigoso dizer como devemos olhar para rabos. Na verdade, isso para mim é censura.

Forestier foi mais a fundo no tema, dando o exemplo do seu cineasta preferido: “O meu realizador preferido é Bertrand Blier. Há machismo e misoginia nos seus filmes, mas há momentos em que faz-me rir. E há coisas que me agradam. Para mim, falar em “male gaze” é censura. É uma forma de nos dizerem como devemos olhar [para as coisas]. (…) Se ele quiser fazer um filme inteiro com um plano para um rabo, tem esse direito. Já a incitação à violação ou à pedofilia, isso é outra coisa, e é mais difícil de avaliar. Eu já vi filmes que moralmente colocam essa questão, como As Bailarinas (1974) (…) Há filmes que mostram cenas que se aproximam da cultura da violação que nos fazem colocar questões, mas isso não é “male gaze”. A incitação à violência é punível. A incitação à violação, não sei como é em termos legislativos, mas tem igualmente violência por isso punível. A partir do momento em que não existe incitação à violência, não existe nenhuma razão para dirigir e orientar o olhar de alguém. Mesmo os filmes que me incomodam, defenderei sempre que não sejam censurados.


Léa Seydoux & Sara Forestier em Roubaix, une lumière

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