Morreu aos 77 anos o cineasta mexicano Jaime Humberto Hermosillo, informou o Ministério da Cultura do México.

Nascido a 22 janeiro de 1942 em Aguascalientes, Hermosillo era um dos cineastas locais que mais dissecou a hipocrisia da classe média mexicana, muitas vezes “rasgando a cortina” e mostrando muitas das suas perversidades. Um dos poucos realizadores mexicanos abertamente gays, Hermosillo foi frequentemente comparado a Pedro Almodóvar, embora a sua obra entrasse por caminhos eróticos mais vincados, ainda mesmo nos anos 70, década onde foi mais prolífico. Começou com La verdadera vocación de Magdalena, em 1972, onde se foca numa secretária tímida e reprimida, mas marcou o cinema local com La Pasion Según Berenice, em 1977.
O seu maior sucesso foi Dona Herlinda y su hijo (1985), uma comédia sobre a mãe de um médico gay que manipula o filho, o amante e a sua noiva para satisfazer o seu desejo de ser avó. Temas homossexuais nos filmes de Hermosillo podem ser ainda encontrados em Matinee (1977), El Cumpleaños del Perro (1975) e Las apariencias engañan (1978), e o cineasta foi também um explorador da linguagem cinematográfica. Em La Tarea (1991) um exercício a partir do ponto de vista (POV) de uma câmara de vídeo, acompanhamos uma jovem estudante de cinema que decide fazer um trabalho para o curso que consiste em filmar-se a ter sexo com o companheiro.
Fã do cinema digital, Hermosillo fez dez longas-metragens nesse formato, tendo Crimen por Omisión (2018) – sobre um pacto de suicídio que revela segredos num triângulo amoroso – sido o seu último trabalho na realização.
No Twitter, Guillermo Del Toro lamentou a morte do cineasta: “O meu mestre faleceu – um dos grandes nomes e uma das pessoas que transformou a cultura cinematográfica em Guadalajara. Jaime Humberto Hermosillo sempre foi um homem digno, corajoso, transgressivo e coerente. Vejam La Pasion Según Berenice, filme que me fez acreditar que poderia ser um cineasta na província“.

