Lone Scherfig: “Homens como Lars von Trier ajudaram-me muito”

(Fotos: Divulgação)

Numa entrevista à rádio alemã DeutchlandFunk, a realizadora dinamarquesa Lone Scherfig falou sobre os seus tempos no movimento Dogma 95, da influência desse movimento no seu cinema e do facto de nunca ter tido problemas em encontrar trabalho por ser mulher.

Sobre o movimento Dogma 95, para o qual contribuiu com Italiano para Principiantes, Scherfig considera o movimento “simplista” (porquê tocar piano apenas com 8 teclas), mas admite ter saudades da “inocência” desses tempos, onde os cineastas não tinham noção das dificuldades que iriam encontrar nos projetos: “Quando estávamos na Berlinale com o Italiano para Principiantes, não sabíamos o quanto era importante para o sucesso do filme ser tão bem recebido“.

Admitindo que ao longo da sua carreira teve muitas oportunidades, Scherfig destacou a importância de Lars Von Trier na sua carreira: “Homens como Lars von Trier ajudaram-me muito e foram favoráveis à minha carreira. Mas eu também tinha personagens masculinas nos meus filmes, talvez por isso nunca encontrei problemas no financiamento. Eu fui a primeira irmã da família Dogma 95, fizemos uma grande série de filmes na Dinamarca – 11 realizadores do sexo masculino e eu fui a número 12. Deram-me equipamentos, dinheiro, liberdade, um escritório, confiança, conselhos. Não havia controle, eles gostaram do que fiz. Tinha uma filha pequena naquela época, eles adoraram, e ela tinha a sua própria escrivaninha. Carrinhos de bebé ainda estão por todo o lado no estúdio da Zentropa, e os tampões estão nas casas de banho deles há 20 anos. E sempre houve mulheres de muito sucesso a trabalhar lá.

Formada em 1984, Scherfig começou na TV e teve o seu primeiro sucesso internacional em 1998, com The Birthday Trip, exibido na secção Panorama da Berlinale. Italiano Para Principiantes ganhou o Prémio do Júri em 2001 no mesmo certame e Uma Outra Educação marcou no festival em 2009. Este ano, a dinamarquesa abriu a Berlinale com The Kindness Of Strangers, o seu mais recente filme, protagonizado por Zoe Kazan, Tahar Rahim, Andrea Riseborough, Caleb Landry Jones, Jay Baruchel e Bill Nighy.

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