Alejandro Gonzalez Iñárritu: “a tecnologia e as redes sociais criam muito isolamento e paranóia”

(Fotos: Divulgação)

O cineasta mexicano preside o júri do Festival de Cannes

Acreditamos que evoluímos com a tecnologia e as redes sociais, mas elas também criam muito isolamento e paranóia“, disse Alejandro Gonzalez Iñárritu, presidente do júri do Festival de Cannes, na habitual conferência de imprensa que antecede a exibição dos filmes em competição. O alvo da mensagem era Donald Trump, a sua política de migrações e a construção do muro entre os EUA e o México: “Acho que o problema do que está a acontecer é a ignorância. As pessoas não sabem, é muito fácil manipular“. “Nós sabemos como esta história termina se continuarmos assim“, disse Inarritu, referenciando a data de início da Segunda Guerra Mundial.

A acompanhar o cineasta mexicano na tarefa de escolher a Palma de Ouro da 72ª edição do Festival de Cannes, encontramos ainda Kelly Reichardt (realizadora), Pawel Pawlikowski (realizador), Yorgos Lanthimos (realizador), Alice Rohrwacher (realizadora), Elle Fanning (atriz), Maimouna N’Diaye (atriz e realizadora), Robin Campillo (realizador) e Enki Bilal (autor de banda-desenhada).

Iñárritu – que ironizou com o facto de ser presidente do júri ao afirmar que nunca controlou nada, “nem os meus palcos, nem a minha família” – proferiu também um discurso apaixonado sobre a importância da experiência nos cinemas, mostrando-se um crente de que assistir a um filme não é o mesmo que vê-lo. “O cinema nasceu para ser vivido numa experiência comum“, afirmou o realizador, que apesar de achar que a Netflix está a fazer um bom trabalho como “TV“, crê que as pessoas devem experienciar o cinema nas salas.

O Festival de Cannes decorre de 14 a 25 de maio e abre hoje com The Dead don’t Die, o regresso do cineasta norte-americano Jim Jarmusch (Paterson, Coffee and Cigarettes).

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