
Segundo o The Times, Woody Allen tem um novo livro de memórias, mas está com dificuldades em encontrar uma editora que o publique. Quatro grandes empresas do ramo disseram ao The New York Times que rejeitaram um pedido para adquirir essas memórias, recusando a ideia de publicar o livro antes mesmo de lerem o manuscrito.
A principal razão apontada para a recusa dos editores é a alegada história de abuso sexual do cineasta a Dylan Farrow quando esta era criança. As alegações ressurgiram em janeiro de 2018, no auge dos movimentos #MeToo e Time Up. Conforme relatado pelo The Times, alguns executivos da área editorial afirmaram que seria “tóxico” trabalhar com Allen nos dias que correm e apontaram enormes riscos comerciais em estar associado a ele. “Presumivelmente, o livro de memórias conta o seu lado das coisas“, disse a crítica literária Daphne Merkin ao The Times.
Desde que a alegações de Farrow contra Allen ressurgiram, muitos atores que anteriormente trabalharam com o realizador lamentaram fazê-lo, afirmando que nunca mais colaborariam com ele. Apesar de todos estes problemas nos EUA, Allen prepara um novo filme na Europa, mais concretamente em Espanha, e avançou com uma ação judicial contra a Amazon por quebra contratual.
Último filme de Allen ainda inédito
“Engavetado” pela Amazon após o ressurgimento das acusações de abuso sexual contra Allen por parte de Dylan Farrow, A Rainy Day in New York continua sem qualquer data de estreia.
Por isso mesmo, Woody Allen entrou com um processo judicial contra a Amazon Studios, alegando que a plataforma de streaming desistiu de um acordo de quatro filmes que tinha com o cineasta devido a “uma alegação infundada com 25 anos“. “A Amazon tentou desculpar a sua ação referindo uma alegação infundada contra Allen com 25 anos, mas essas alegações já eram bem conhecidas da Amazon (e do público) antes da empresa celebrar quatro acordos separados com o Sr. Allen”, diz o processo: “Simplesmente não há uma base legítima para a Amazon renegar as suas promessas“.
Ainda de acordo com o processo, os executivos da Amazon, Jason Ropell e Matt Newman, reuniram-se com os representantes de Allen em dezembro de 2017. Eles citaram os danos à reputação que a Amazon sofreu devido à sua associação com Harvey Weinstein e as alegações de má conduta contra o ex-presidente da Amazon Studios, Roy Price.
Em janeiro de 2018, o advogado da Amazon, Ajay Patel, propôs adiar o lançamento de A Rainy Day in New York para 2019, o que Allen aceitou. Chegamos então a junho de 2018, quando a Amazon decidiu rescindir o acordo de quatro filmes, tendo ainda afirmado que não tinha a intenção de distribuir nenhum dos filmes do cineasta. Inicialmente, Patel não forneceu uma razão para terminar o negócio, mas posteriormente, os representantes da Amazon declararam que estavam a cancelar o acordo devido a “eventos supervenientes, incluindo a renovação das alegações contra Allen, os comentários controversos do cineasta e a crescente recusa de grandes talentos em trabalhar ou de estarem associados a ele de qualquer forma“. No total, Allen exige assim da Amazon o pagamento de 68 milhões de dólares (60 milhões de euros).

