
Criado nos anos 1950, em época plena de sonhos e planos de intervenção cívica e cultural numa Viena de Áustria ainda em reconstrução após o horror nazi, o Festival de Viena (Wiener Festwochen) chega a 2019 com uma relevância cada vez mais evidente.
Organizado pela cidade de Viena, ao longo dos meses de maio e de junho, a programação deste ano dá continuidade às linhas estruturantes que têm feito do evento uma das principais atrações da cidade, reunindo artistas de diferentes campos artísticos – da performance à musica, passando pelas artes visuais – naquela que será uma celebração dos valores comunitários numa sociedade que se quer global, mas que se encontra cada vez mais ameaçada por derivas populistas.
No campo do cinema haverá pelo menos dois motivos de grande entusiasmo: Apichatpong Weerasethakul e Béla Tarr, dois nomes de peso do cinema contemporâneo, vão apresentar obras recentes, sendo que a grande surpresa será mesmo a presença do realizador de O Cavalo de Turim no programa do festival. Apichatpong irá apresentar “Fever Room“, uma instalação feita a pensar para o espaço do teatro, e que em 2016 passou por Portugal, no Teatro São Luiz.

Fever Room
Tarr, que em 2012 deu por terminada a sua carreira enquanto realizador, vai apresentar uma nova obra intitulada Missing People, naquele que será o seu primeiro trabalho após um longo interregno criativo. Com apresentação exclusiva no festival, a obra explora o campo expandido do cinema numa instalação com componente sonora, que abordará, entre outras questões, as hierarquias sociais da cidade e a “invisibilidade” dos excluídos de uma vida interventiva no espaço público. – Tar filmou, justamente, em Vienna. Teremos, pois, um Bela Tarr mais politizado que nunca.
A programação completa pode ser consultada aqui.

