
O mais recente filme de Jean-Luc Godard, o Livro de Imagem, foi recentemente apresentado no Festival de Rotterdam, um evento conhecido pela sua preferência pelo cinema experimental e por lançar novos autores. Porém, a exibição do filme não é propriamente notícia, mas sim o local onde foi exibida: num quarto do Hotel Atlanta, um dos poucos edifícios no centro de Roterdão que não foram destruídos no ataque alemão de 1940, o qual devastou a cidade holandesa.
Cada uma das três sessões diárias do filme tinha a capacidade para apenas 30 pessoas. “Não é um filme projetado para um grande ecrã. Foi concebido para ser visto em privacidade “, disse Fabrice Aragno ao EL País, explicando ainda que ajudou na decoração do espaço para que se sentisse como o lugar onde o filme foi montado, ou seja, na casa do cineasta, na Suiça: “É uma maneira de mostrar o filme no contexto em que foi feito. É como ver um quadro de um pintor pendurado no seu atelier “.

Foto por MELLE MEIVOGEL
O produtor e braço direito de Godard acrescentou que esta não é de todo uma ideia revolucionária: “Os filmes dos irmãos Lumière já eram vistos em cafés e locais públicos, e não em cinemas diante de um balde de pipocas”. Assim, e no futuro, o novo trabalho de Godard será exibido, neste mesmo formato, num teatro de Paris, numa fundação de Hong Kong, numa biblioteca Suíça e num museu de Bruxelas antes do final de 2019.
Recorde-se que Roterdão é propíciao a experiências cinéfilas “diferentes”. No ano passado, o vencedor da Palma de Ouro, Apichatpong Weerasethakul (O Tio Boonmee Que se Lembra das Suas Vidas Anteriores), marcou presença no certame com a experiência “SLEEPCINEMAHOTEL“, um espaço no terceiro andar do World Trade Center da cidade, onde qualquer um podia reservar um quarto para dormir durante a noite e assistir ao visionamento de trabalhos audiovisuais repletos de imagens hipnagógicas criadas pelo realizador.
O festival de Roterdão decorreu de 23 de janeiro a 3 de fevereiro.

