Gael Garcia Bernal (na imagem) e Mia Maestro vão protagonizar um novo filme em torno de Eva Péron, a famosa líder política Argentina que se tornou a primeira-dama quando o general Juan Domingo Perón foi eleito presidente em 1946.
Contudo, nesta obra não iremos acompanhar “Evita” em vida, mas sim a odisseia do seu corpo embalsamado que, devido ao golpe militar no país, só duas décadas depois conseguiu encontrar a paz e ser enterrado na Argentina.
Eva Peron faleceu aos 33 anos de cancro em 1952. Tal como muitos símbolos politicos sul americanos, o seu corpo foi sujeito ao embalsamamento, exposição e culto. A apelidada Revolução Libertadora, que derrubou Perón em 1955, tentou eliminar as marcas do antigo regime, sequestrando assim o cadáver de Evita e fazendo-o desaparecer dos olhares populares. Há quem diga que ficou temporariamente na casa de um Coronel até ser transportado em segredo para um cemitério em Milão (Italia), já em 1957, onde foi enterrada sob o falso nome de María de Magistris. As peripécias do corpo não ficaram por aqui. Em 1971, outro ditador, Alejandro Lanusse, decidiu entregar o corpo a Juan Perón, agora exilado em Madrid. “Evita” só voltaria a Argentina quando Perón já tinha morrido e a terceira mulher do general, Isabelita Peron, que sucedeu-o na presidência, o trouxe de Madrid. Durante mais algum tempo, Evita esteve de novo em exposição, tendo sido enterrada novamente num mausoléu no cemitério da Recoleta, na cidade de Buenos Aires.
Pelo meio destes factos, existe ainda alguma especulação e mitos relativamente a este período. Chega-se mesmo a dizer que o coronel do novo regime a quem inicialmente foi confiado o destino do cadáver, Carlos Eugênio de Moori Koenig, chegou a apaixonar-se por ela. Um acidente com um carro que transportava o corpo (quando ele seguia para o aeroporto de partida para Itália) é também relatado.
Para já desconhece-se todos os elementos narrativos da obra e especificidades, mas sabe-se que Mia Maestro vai assumir o papel de Evita (surgindo apenas em fragmentos e sombras). Já Gael Garcia Bernal será o Almirante Emilio Eduardo Massera, militar que participou no golpe de estado que destituiu Isabelita Peron em 1976. Foi nesta época que assumiu o “centro de detenção clandestino” da Marinha em Buenos Aires, conhecido como ESMA. Neste local, estima-se que passaram cinco mil presos e entre eles apenas uma centena sobreviveu. Massera foi julgado e condenado a prisão perpétua em 1985. Posteriormente foi indultado pelo governo de Carlos Menem, mas foi novamente perseguido pela justiça após Néstor Kirchner reabrir os processos contra os militares da última ditadura. O Almirante viria a falecer em 2010.
Segundo Pablo Aguero, o realizador, nesta nova produção o principal objetivo é mostrar o que Evita gerou: uma revolta massiva contra as injustiças do capitalismo, a que se seguiu uma repressão desproporcionada e brutal. Ainda assim, e de acordo com o cineasta, todos os eventos foram incapazes de calar a voz e as ideias de Evita até hoje.
Espera-se que este projeto – que tem o nome temporário de Evita – comece as filmagens no início de 2014.

