Depois de termos mostrado no dia 26 os melhores do ano para o C7nema [ver aqui], vamos à lupa ver as escolhas individuais de cada um dos colaboradores do c7nema que contribuíram para esse top. Aqui ficam as escolhas de Carla Calheiros.
Amour (Amor)
A câmara de Haneke disseca mais uma vez a intimidade, desta vez de um casal idoso que sofre perante a indignidade da morte. Intenso, dilacerante e de um realismo brutal, sem cair no drama fácil.
Tabu
Miguel Gomes acaba por surpreender neste retrato a dois tempos do Portugal ainda com os fantasmas da descolonização. A segunda parte, apenas narrada, acaba por fazer prevalecer o trabalho dos atores, nomeadamente Carloto Cotta e Ana Moreira.
Hugo (A invenção de Hugo)
O adorável conto sobre a história de um órfão na estação d’Orsay era o meu favorito na corrida aos Oscars, mas acabaria por ser ofuscado pelo fenómeno de O Artista. Mesmo assim a incursão de Scorsese pela mundo da fantasia conseguiu manter-se como um dos mais importantes filmes estreados este ano.
L’Artist (O Artista)
Michel Hazanavicius e o seu Artista acabaram por ser os grandes vencedores dos prémios referentes a 2011, e a verdade é que largo meses depois a música do filme ainda não me saiu da cabeça.
TED
A estreia de Seth MacFarlane (criador de Family Guy) no cinema acabou por trazer as maiores gargalhas do ano. Ver Mark Wahlberg metido em apuros por causa do seu inapropriado urso de peluche foi uma lufada de ar fresco, nas pouco imaginativas comédias do ano.
We need to talk about Kevin (Temos de Falar sobre o Kevin)
Tilda Swinton acabaria por não ser reconhecida, mas nada tira o mérito ao seu arrebatador desempenho neste filme. O cruel retrato sobre a péssima relação entre mãe e filho teve igualmente o condão de revelar um dos novos valores de Hollywood: Ezra Miller.
Take Shelter (Procurem Abrigo)
Não recomendado a quem temia o fim do mundo a 21 de dezembro, o filme retrata um homem que é arrastado numa espiral de paranóia onde alucina sobre tragédias iminentes. Michael Shannon está mais uma vez sublime.
Moonrise Kingdom
Da delirante imaginação de Wes Anderson chega mais um leque de absurdas e hilariantes personagens que se encontram no meio do romance entre um escuteiro e uma rapariga muito independente. O elenco, como não podia deixar de ser, é de luxo.
Michael
O retrato brutal e perturbador de um homem banal e enfadonho, que na realidade se revela um pedófilo, com uma criança presa na cave de casa. Um tema muito pesado tratado sem recorrer ao facilitismo do choque puro.
Dark Knight Rises (O Cavaleiro das Trevas Renasce)
Christopher Nolan acabou por fazer o que parecia impossível, reabilitar uma saga completamente moribunda. O último filme da sua trilogia acaba por fechar com chave de ouro.

