Lou Ye retira o seu nome dos créditos para a estreia chinesa de «Mistery»

(Fotos: Divulgação)

Há nove anos que o público chinês não tem acesso nas suas salas a um filme assinado por Lou Ye – o cineasta responsável por filmes como «Os Amantes do rio». O caso remonta a 2006, quando sem autorização do comité que avalia (censura) as obras no território,  Ye levou até Cannes «Palácio de Verão».
 
Nasceu assim um castigo e durante cinco anos os censores retiraram-lhe a carta profissional – que o impedia de filmar na China. 
 
Ye continuou a trabalhar fora do país, tendo agora pronto para estrear localmente, e ultrapassada a proibição, «Mistery».  Vale a pena dizer que esta obra já foi aprovada pelo dito comité, mas entretanto surgiram novos entraves – ligados ao facto de ser uma co-produção com França – e um pedido para remover certas cenas.  Irritado, Lou Ye já decidiu: o seu filme vai chegar às salas sem o seu nome.
 
O que terá levado a China a mudar de opinião pouco tempo antes da estreia da obra, está envolto – tal como o nome do filme – num mistério. A verdade é que podemos estar perante um pequeno acidente diplomático, com consequências imprevisíveis.
 
Numa entrevista a Stéphane Lagarde, Ye mostra-se incrédulo. «Não tenho a resposta [para este pedido de retirada da co-produção]. Porque razão existe agora este pedido, não sabemos. Perguntamos, mas não responderam (…) se eles não querem uma co-produção com a França, então têm de contactar com o CNC (Centre National de la Cinématographie). Não sou só eu que pode decidir isso».

Últimas