Frederick Wiseman, um dos maiores nomes do cinema mundial, famoso pelos seus mais vastos retratos cinematográficos das instituições contemporâneas, morreu esta segunda-feira aos 96 anos. A notícia foi confirmada num comunicado conjunto da família e da produtora Zipporah Films.
Durante quase seis décadas de carreira, Wiseman assinou títulos como Titicut Follies (1967), um retrato cru de um hospital psiquiátrico prisional, At Berkeley (2013), centrado no funcionamento da universidade californiana, National Gallery (2014), dedicado ao museu londrino, e Ex Libris (2017), sobre a Biblioteca Pública de Nova Iorque. O seu filme mais recente, Menus-Plaisirs – Les Troisgros (2023), acompanhava o quotidiano de um restaurante francês de alta cozinha.
Realizador e produtor de 45 filmes, trabalhou sempre de forma independente sob a chancela da sua própria produtora, mantendo um controlo criativo total sobre cada projeto. “Resistir não é um gesto mediático. Resistir é algo que tem a ver com a necessidade de se dizer algo ou de investigar algo. Por isso, não venham com isso de me chamar de pop. O cinema que faço não se encaixa nessa designação”, disse o cineasta ao C7nema, em 2018, logo após estrear Monrovia, Indiana. “Não aceito o tratamento de popstar que tentam me dar, agora, depois de cinco décadas de trabalho, para tentarem fazer do cinema documental um produto. Não estou preocupado com uma vida badalada”-
Vencedor do Emmy (por Hospital e Law and Order), Wisemen preferiu sempre observar e deixar o objeto revelar-se para a câmara sem interferências. “O que eu aprendo de cada realidade é aquilo que se vê nos filmes, sem teses prévias. Tenho uma técnica, que é sempre a mesma: olhar e deixar a vida acontecer. Procuro estabelecer relações entre os universos que filmo”.
Nascido em Boston, Wiseman formou-se no Williams College e em Direito pela Universidade de Yale. Antes de realizar, produziu The Cool World (1963), de Shirley Clarke. Com uma abordagem humanista e observacional, deixou um legado incontornável no cinema documental contemporâneo, mas realizou também ficções inspiradas em textos literários e teatrais. Entre elas destacam-se The Last Letter (2002), adaptação de Vasili Grossman, e A Couple (2022), que retrata o relacionamento entre Sophia Tolstói e Leon Tolstói.

