Depois de encerrar 2025 com 88.512 espectadores, um crescimento de 31,5% face a 2024, o Nimas segue para o novo ano com a promessa de, a 19 de fevereiro, arrancar com Eustache e Garrel – Os Inclassificáveis do cinema francês, que junta uma retrospetiva integral de Jean Eustache — quase toda inédita comercialmente em Portugal — e outra dedicada a Philippe Garrel. No verão, chega uma retrospetiva integral da obra de Agnès Varda, seguindo-se um grande ciclo dedicado a Michael Haneke e outra retrospetiva integral de Otar Iosseliani, sempre em novas cópias restauradas. Presentemente, o Nimas tem em exibição duas retrospetivas: uma dedicada a Alfred Hitchcock; e outra a João César Monteiro.
A sala manterá a conjugação entre estreias e cinema de repertório em cópias restauradas, colocando o cinema contemporâneo em diálogo com a história do cinema, reforçando, no processo, a atenção à produção portuguesa. Nesse sentido, estão previstas várias estreias nacionais ao longo do ano, entre as quais Maria Vitória, de Mário Patrocínio (4 de março), O Massacre de Gilles de Rais, de Juan Branco (19 de março), Entroncamento, de Pedro Cabeleira (26 de março), O Barqueiro, de Simão Cayatte (9 de abril), Fuck the Polis, de Rita Azevedo Gomes, no início de maio, e Memórias do Cárcere, de Sérgio Graciano, a 24 de setembro.
Na programação internacional, o Nimas vai apresentar cerca de duas estreias por semana, incluindo Mektoub My Love: Canto Due, de Abdellatif Kechiche, Silent Friend, de Ildikó Enyedi, com Tony Leung, Ressurrection, a nova obra de Bi Gan, ou Los Domingos, de Alaúda Ruiz de Azúa, vencedor da Concha de Ouro em San Sebastián.
Para Paulo Branco, produtor, distribuidor e exibidor, os resultados de 2025 “foram absolutamente inesperados”, até mesmo para ele, sublinhando o sucesso do trabalho da equipa e “o prazer e a liberdade de programar uma sala de cinema”, comparando a experiência à que viveu nos anos 1970, em Paris, quando programava o Action République.
“As pessoas querem ver algo que valha a pena; caso contrário, ficam em casa”, afirmou, defendendo que a sobrevivência das salas passa por uma programação exigente, coerente e pensada para espectadores reais. Nesse sentido, e com o Nimas a mostrar-se em claro contraciclo face à queda acentuada de público nas salas comerciais portuguesa, Branco diz que “há qualquer coisa a passar-se”, destacando a chegada de novos espectadores à sala e defendendo que “descobrir filmes novos para novos espectadores é hoje uma das missões centrais do Cinema Nimas”.

