O lendário ator alemão Udo Kier morreu este domingo, 23 de novembro, aos 81 anos, informou o seu parceiro, Delbert McBride.
Com seis décadas de carreira e mais de trezentos títulos no currículo, entre produções cinematográficas e televisivas, Kier tornou-se uma figura singular no panorama europeu e norte-americano, cruzando o experimental e o mainstream com grande intensidade e capacidade de transgressão. A versatilidade fazia parte do seu ADN, tendo – por exemplo – interpretado Adolf Hitler em várias ocasiões (Iron Sky: The Coming Race, 2019); Mrs. Meitlemeihr, 2002; 100 Jahre Adolf Hitler ,1989), vampiros (Sangue Virgem para Drácula, 1974; Blade, 1998, Frankenstein (Carne para Frankenstein, 1973) e até a personagem Dr. Jekyll (Dr. Jekyll e as Mulheres, 1981).
Os primeiros créditos de Kier surgiram na década de 1960, mas o reconhecimento internacional chegaria na década seguinte, quando protagonizou produções associadas a Andy Warhol e realizadas por Paul Morrissey. Seguiram-se colaborações com Dario Argento (Suspiria, 1977), Walerian Borowczyk (Lulu, 1980) e Rainer Werner Fassbinder (A Terceira Geração, 1979; Berlin Alexanderplatz, 1980).
Nos anos 1990, atravessou definitivamente o Atlântico com My Own Private Idaho (1991), de Gus Van Sant, com quem voltou a trabalhar em Even Cowgirls Get the Blues (1993). Com Lars von Trier estabeleceu uma colaboração constante, participando em Breaking the Waves (1996), Dogville (2003), Melancholia (2011), Nymphomaniac (2013) e na série Riget (2022). Bacurau (2019) e O Agente Secreto (2025), ambos de Kleber Mendonça Filho, tiveram também a sua presença, além de manter atividade regular em Hollywood, com participações em Ace Ventura: Pet Detective (1994) e Armageddon (1998). Trabalhou também com Madonna no livro Sex (1992) e nos videoclipes Erotica (1992) e Deeper and Deeper (1992).
Mais recentemente destacou-se em Swan Song (2021), interpretando Pat Pitsenbarger, antigo ícone gay da sua comunidade — o “Liberace de Sandusky” —, agora isolado numa casa de repouso no Ohio após sucessivos AVC que o fragilizaram.
Nascido Udo Kierspe em Colónia, em plena Segunda Guerra Mundial, viveu entre a Europa e os Estados Unidos antes de se fixar em Palm Springs, onde se tornou presença assídua no festival de cinema local.

