Noomi Rapace: “Madre Teresa não é a santa perfeita que muitos imaginam”

(Fotos: Divulgação)

Ainda com a polémica viva na sua memória da estreia de “God Exists, Her Name Is Petrunija”, em 2019, a cineasta macedónia Teona Strugar Mitevska chega a Veneza em 2025 com outro filme que pode dar que falar: Mother, onde acompanha sete dias cruciais na vida da Madre Teresa de Calcutá, então com 36 anos e prestes a sair do convento para fundar a sua congregação.

Longe de qualquer retrato hagiográfico, o filme apresenta Teresa como uma mulher obstinada em abandonar um convento para ir diretamente ajudar os pobres que se amontoam por toda a Calcutá. “A inspiração para este filme nasceu do conhecimento e da descoberta que fiz através da realização de um documentário sobre a Madre Teresa. Foi fascinante conhecer esta figura maior que a vida, mas também percebê-la como uma mulher comum, como todas nós”, disse Teona Strugar Mitevska em Veneza, na habitual conferência de imprensa do filme.

Muitas das ideias e diálogos da fita nasceram de conversas que teve com quatro freiras que trabalharam diretamente com Madre Teresa de Calcutá, nascida Anjezë Gonxhe Bojaxhiu em Skopje, na atual Macedónia do Norte: “Descobri a sua escuridão, a dor, as dúvidas, a constante luta entre o coração e a razão. Mas também a coragem. Foi incrivelmente rebelde para o seu tempo: uma freira que ousou pedir autorização ao Vaticano para iniciar a sua própria missão. Percebi que era um ser humano com falhas, como todos nós, mas que criou algo extraordinário.

A protagonizar o filme temos Noomi Rapace, atriz conhecida pelos três filmes da saga Millennium de Stieg Larsson, mas também por Prometheus (2012) e Lamb (2021). Referindo-se à comparação entre Lisbeth Salander e Madre Teresa, Noomi diz que são pessoas muito distantes, mas que ambas exigiram da sua parte uma entrega total. “Não tentei copiar a Madre Teresa real. Pesquisei muito, li as suas cartas, ouvi elogios e críticas, e deixei tudo isso viver em mim. No primeiro dia de filmagens, decidi deixar-me levar, esquecer o que tinha aprendido e permitir que Teresa tomasse conta. No fim, já não sabia bem o que era meu e o que era dela. Foi uma jornada colaborativa incrível com a Teona, a Silvia [Hoeks] e toda a equipa.

Não é a santa perfeita que muitos imaginam, mas uma mulher de carne e osso, com dúvidas, dores e contradições”, acrescentou a atriz, rematando que mesmo assim, ela foi capaz de “feitos extraordinários”.

Mother é o filme de abertura da secção Orizzonti do Festival de Veneza. O certame arrancou oficialmente hoje e decorre até 6 de setembro.

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