Depois de Kiyoshi Kurosawa, Hirokazu Kore-eda, Chow Yun-fat, Tony Leung, Ann Hui, Mohsen Makhmalbaf, Hou Hsiao-hsien e o falecido compositor Ryuichi Sakamoto, entre outros, o Festival Internacional de Cinema de Busan selecionou o autor iraniano Jafar Panahi como Cineasta Asiático do Ano 2025, homenageando “as suas incansáveis contribuições para o cinema asiático e mundial“.
O prémio, uma das maiores honras do festival, é atribuído anualmente a um indivíduo ou organização que tenha causado um impacto significativo no desenvolvimento do cinema asiático.
Panahi vai receber o prémio durante a cerimónia de abertura da 30ª edição do BIFF, que decorre de 17 a 26 de setembro na cidade portuária sul-coreana.
Nascido em 1960 em Mianeh, Irão, e formado na Escola de Cinema de Teerão, Panahi tornou-se uma figura central do novo cinema iraniano, conhecido por retratar com sensibilidade e realismo as dificuldades sociais, especialmente as vividas por mulheres e crianças no seu país. Iniciou a carreira como assistente de Abbas Kiarostami, com “Through the Olive Trees” (Através das Oliveiras, 1994), e teve como filme de estreia “The White Balloon” (1995), com o qual venceu a Caméra d’Or em Cannes.
Seguiram-se obras como “The Mirror” (1997), que desafia as fronteiras entre ficção e documentário, e “Crimson Gold” (2003), um retrato crítico da desigualdade social. Em 2006, lançou “Offside“, uma sátira sobre a proibição de mulheres nos estádios de futebol, que lhe valeu reconhecimento internacional.
Em 2010, Panahi foi preso e condenado a seis anos de prisão e proibido de filmar, sair do país ou dar entrevistas durante 20 anos, por suposta “propaganda contra o regime“. Apesar da proibição, continuou a realizar filmes clandestinamente. “This Is Not a Film” (2011), feito dentro do seu apartamento e contrabandeado para fora do Irão numa pen drive escondida num bolo, foi exibido em Cannes e tornou-se um símbolo de resistência.
Outras obras realizadas sob restrições incluem “Closed Curtain” (2013), “Taxi” (2015) — filmado num carro em Teerão e premiado em Berlim — e “3 Faces” (2018), onde regressa a um tópico familiar aos espectadores da sua obra anterior a 2010, o da condição da mulher na sociedade iraniana. Em 2022, foi novamente detido após apoiar protestos no Irão, enquanto preparava “No Bears” , um filme sobre fronteiras físicas e artísticas, que foi apresentado em Veneza.
Apesar da repressão, Jafar Panahi foi o vencedor da Palma de Ouro de 2025 por “Un Simple Accident”.

