“Estou satisfeito com a idade que tenho”, diz Harrison Ford em Cannes

(Fotos: Divulgação)

Nomeado ao Oscar por “The Witness“, em 1986, Harrison Ford trabalhou com Antonioni, Francis Ford Coppola e Mike Nichols numa carreira que se confunde com a revolução estética chamada de Nova Hollywood. Nela, entre 1967 e 1981, grandes cineastas reinventaram a forma de representar a América com a ajuda de atrizes e atores que traziam no gestual e no olhar o zeitgeist de uma era de contestação, na política e na arte. Sobre isso, citam Faye Dunaway, Jane Fonda, Meryl Streep e Diane Keaton. Citam Al Pacino, Richard Dreyfuss, De Niro, Dustin Hoffman, Jack Nicholson, Gene Hackman, Robert Duvall e Jon Voight. Mas de Ford ninguém fala. Ou falava. Depois da Palma de Ouro Honorária em Cannes, há chances de esse rótulo pobre mudar. Destaca-se em especial um momento da sua visita à Croisette: a conferência de imprensa de “Indiana Jones and the Dial of Destiny“, na qual o realizador da triunfante nova longa-metragem do herói, contextualizou o status quo de seu astro.

Mais do que uma lenda, um ícone, Harrison é um ator, um ator que escolhe os guiões com atenção“, disse Mangold, cineasta por trás de êxitos de público e crítica como “CopLand” (1997) e  “Logan” (2017).

Nunca se valorizou com a devida importância a forma de Harrison atuar, para além da sua star quality inquestionável. Há 30 anos, quando protagonizou “The Fugitive“, sob a direção de Andrew Davis, houve a tentativa de olhá-lo, na cena da ação, para além de Han Solo ou do próprio Dr. Jones, cujo chicote volta a estalar agora.

Estou satisfeito com a idade que tenho“, disse Ford à Croisette, antes de avaliar os efeitos visuais que, no início da longa-metragem, mostram-no como um jovem de 40 anos, tal como era em “Raiders of the Lost Ark” (1981) e não com seus 80 anos de hoje. “Eu vi as imagens e reconheci-me, pois soam reais. O realismo que conta não vem da parte técnica, mas, sim, das emoções que carregam em si. As emoções que tive ao trabalhar com Jim (Mangold), cujos filmes admiro“. 

Harrison transpira desejo de brilhar a cada cena do novo “Indiana Jones“, sob a  artesania de Mangold, que toma para si o legado de Steven Spielberg com um misto de competência, poesia e autoralidade. Todos os quatro filmes da franquia eram de Spielberg. Agora, não. O olhar para a finitude dos heróis, tão caro à obra do homem que filmou um Wolverine em agonia, está lá, nao grande ecrã. E há mais… a começar pelo triunfal empenho de Ford para nos lembrar o quão bom ator pode ser. Quase tão bom quanto aparecia em “The Conversation“, Palma de Ouro de 1974.

É importante saberem que tudo que um realizador faz ao assumir um filme impõe responsabilidade e cuidado com cada um dos envolvidos“, disse Mangold, em Cannes.

Envolvido em séries de streaming, Ford celebra o regresso ao grande ecrã.

Queria contar uma boa história de uma personagem que não pode mais depender da boa forma com a qual sempre contou“, disse Ford.  

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